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	<title>Trapobana</title>
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	<description>Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá... Álvaro Cunqueiro "Si o vello Sinbad volvese ás illas"</description>
	<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 12:51:57 +0000</pubDate>
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		<title>Abraços</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 12:51:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>São Tomé</dc:creator>
		
	<category>Gostos</category>
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		<description><![CDATA[	Sou amigo de abraços. Mais do que de beijos fugazes nas façulas ou de dar a mao.
Gosto dar o sentido dos meus braços nas costelas, abraguer a gente.
Fazer sentir algum jeito que poden lá contar com a minha força toda.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Sou amigo de abraços. Mais do que de beijos fugazes nas façulas ou de dar a mao.<br />
Gosto dar o sentido dos meus braços nas costelas, abraguer a gente.<br />
Fazer sentir algum jeito que poden lá contar com a minha força toda.
</p>
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		<title>A roupa grande</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 11:15:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>São Tomé</dc:creator>
		
	<category>Na ilha</category>
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		<description><![CDATA[	Logo de perto de cinco anos sem os ver, os meus tios adquirírom um jeito como de títeres com cordar frouxas, vestidos com roupas grandes. Já nom é o ser eu inevitavelmente mais alto, o termos todos emagrecido. É a sensaçom de os ver mover-se como fora do contorno, faltos dum nervo que nunca lhes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Logo de perto de cinco anos sem os ver, os meus tios adquirírom um jeito como de títeres com cordar frouxas, vestidos com roupas grandes. Já nom é o ser eu inevitavelmente mais alto, o termos todos emagrecido. É a sensaçom de os ver mover-se como fora do contorno, faltos dum nervo que nunca lhes faltara e que ainda nom acho em falta nos meus próprios pais.<br />
A espalda curva, a cabeça botada para adiante, os olhares algo mais perdidos, os sucos do tempo neles e entre eles e mais eu, e arredor a estranheça inevitável dum velório.
</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Copiloto</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 13:42:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>São Tomé</dc:creator>
		
	<category>Gostos</category>
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		<description><![CDATA[	Gosto de viaxar onda o condutor, a olhar a estrada, atender a rádio, planificar a rota, contemplar a chúvia bater no cristal, achegar comida ou bebida
e de quando em quando ficar calado e me abstrair.
	( É bem certo que agora mesmo o gosto tem a ver com as viagens que fôrom contigo, mas já lá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Gosto de viaxar onda o condutor, a olhar a estrada, atender a rádio, planificar a rota, contemplar a chúvia bater no cristal, achegar comida ou bebida<br />
e de quando em quando ficar calado e me abstrair.</p>
	<p>( É bem certo que agora mesmo o gosto tem a ver com as viagens que fôrom contigo, mas já lá as vam<br />
e deixa-as estar com as cousas boas que tivérom e que hei fazer por gardar)
</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Olhar</title>
		<link>http://trapobana.blogsome.com/2009/11/11/olhar/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 20:43:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>São Tomé</dc:creator>
		
	<category>Gostos</category>
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		<description><![CDATA[	Gosto de olhar pola janela o que vier
dos momentos mortos em que me decato da casa, dos parques, dos céus
dos anacos em que som apenas olho.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Gosto de olhar pola janela o que vier<br />
dos momentos mortos em que me decato da casa, dos parques, dos céus<br />
dos anacos em que som apenas olho.
</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Tinta na água</title>
		<link>http://trapobana.blogsome.com/2009/11/09/tinta-na-agua/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 16:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>São Tomé</dc:creator>
		
	<category>Na ilha</category>
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		<description><![CDATA[	
	Levo dentro os velenos
coma a tinta na água.
	Adoitam ver-se-me nos olhos, sempre vermelhos,
(e às vezes tam cheios da vida e do mundo).
Tenhem vezes de subir até as bonecas, inchar-me as maos,
dar em doer e me insistir no pouco que se val
que ai está a enfermidade e o corpo e nom há volta.
	Afinal, tenhem as suas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><a href="http://www.ycnonline.com/posts/view/3536/process-research-ink"><img src='/images/tintaeagua.jpg' alt='' /></a></p>
	<p>Levo dentro os velenos<br />
coma a tinta na água.</p>
	<p>Adoitam ver-se-me nos olhos, sempre vermelhos,<br />
(e às vezes tam cheios da vida e do mundo).<br />
Tenhem vezes de subir até as bonecas, inchar-me as maos,<br />
dar em doer e me insistir no pouco que se val<br />
que ai está a enfermidade e o corpo e nom há volta.</p>
	<p>Afinal, tenhem as suas próprias marés, ou serám as minhas<br />
(ou as tuas que ainda ficas também<br />
inoculada<br />
e es quem de mover esse tinte<br />
-sei lá se querendo, sei lá se som eu mesmo ao me virar na cama para tentar dumir-<br />
e me lixar algumha ledízia)<br />
e vam e venhem por dentro e no devalo arrastam-me a velhas furnas.</p>
	<p>Estám lá contigo as inseguridades, a irracional tendência a pequenas destruições, as invejas, o querer ser eu o primeiro em rejurdir, o nom saber quanto e como se me quere desde longe, a tensom profunda entre passado e presente (lembrança e resto seco) que em ocasiões ameaça com me esgaçar por completo, o silêncio e tantos outros.</p>
	<p>Mas no entanto, estám em mim<br />
é com essas peçonhas com as que jogo também<br />
a fazer figuras enquanto danço<br />
ou choro<br />
ou laio tóxico<br />
e fico assim eu também<br />
forma na água.
</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A chuva dentro</title>
		<link>http://trapobana.blogsome.com/2009/11/06/a-chuva-dentro/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 09:30:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>São Tomé</dc:creator>
		
	<category>Acotações</category>
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		<description><![CDATA[	
	A chuva da rua está cá no interior, doe na mao, achega umha tritura velha e molhada.
Somos um agora em corpo e água.
Embora sempre agocho anacos de sol na ponta dos dedos, debaixo do cabelo, nas axilas ou nos recantos de detrás dos joenlhos, ando anuvado e nom os dou prendido ajeitadamente.
É assim que nesta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><img src='/images/chuvatrisca.jpg' alt='' /></p>
	<p>A chuva da rua está cá no interior, doe na mao, achega umha tritura velha e molhada.<br />
Somos um agora em corpo e água.<br />
Embora sempre agocho anacos de sol na ponta dos dedos, debaixo do cabelo, nas axilas ou nos recantos de detrás dos joenlhos, ando anuvado e nom os dou prendido ajeitadamente.<br />
É assim que nesta altura, cheio o corpo de humidade, ando meio por fora<br />
e nom podo evitar, como é habitual nestes casos, atopar nesse contorno estranho<br />
lembranças fragmentárias, paisagens antigas<br />
nos que nom faltas<br />
nem estás de mais.
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Obras interiores</title>
		<link>http://trapobana.blogsome.com/2009/10/30/obras-interiores/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 10:50:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>São Tomé</dc:creator>
		
	<category>Gostos</category>
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		<description><![CDATA[	Gosto de reformas interiores, especialmente em velhos edifícios. Adoro essas casas já rematada por fora, a gardar dentro o espaço caótico, mau iluminado, cheio de trabalhadores e móbeis sem arrumar.
Gosto do arrecendo de madeira cortada, das colas, da silicona, da pintura, do suor e da cerveja que fica nas latas. O som das serras, os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Gosto de reformas interiores, especialmente em velhos edifícios. Adoro essas casas já rematada por fora, a gardar dentro o espaço caótico, mau iluminado, cheio de trabalhadores e móbeis sem arrumar.<br />
Gosto do arrecendo de madeira cortada, das colas, da silicona, da pintura, do suor e da cerveja que fica nas latas. O som das serras, os traslados de vultos e o frescor incrível que habita estes espaços, os estranhos móveis e aparelhos que se atopam lá.<br />
Será cousa de ter estado em tantos destes lugares com o pai, de rapaz, e atopar lá um bocado do seu carinho.
</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Apenas as folhas</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 18:06:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>São Tomé</dc:creator>
		
	<category>Na ilha</category>
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		<description><![CDATA[	Ressistimos o outono. Ainda imos às terraças, deitamos nos parques, olhamos o sol a dessafiar o calendário e caminhamos de camissola polas ruas.
No entanto, vem cá a noite ceda a nos insistir: nom tem volta.
Embora pensemos nas flores temperás da cerdeira, nom é ainda momento para a primavera.
Olhamos as árbores, apenas as folhas dam razom [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Ressistimos o outono. Ainda imos às terraças, deitamos nos parques, olhamos o sol a dessafiar o calendário e caminhamos de camissola polas ruas.<br />
No entanto, vem cá a noite ceda a nos insistir: nom tem volta.<br />
Embora pensemos nas flores temperás da cerdeira, nom é ainda momento para a primavera.<br />
Olhamos as árbores, apenas as folhas dam razom do tempo que nos passa.<br />
Lá nas polas ou deitadas primeiras na verma da estrada, targetas de visita.
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Meditaçom</title>
		<link>http://trapobana.blogsome.com/2009/10/27/meditacom/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 12:31:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>São Tomé</dc:creator>
		
	<category>Gostos</category>
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		<description><![CDATA[	Gosto da sensaçom de deixar fluír os pensamentos.
Sentado no chao, a olhar a paisagem correr detrás dumha janela ou de pé e com movimentos espontáneos do corpo a acompanahar esse movimento. Sentir como eslue o sentido e fica apenas o passar duns para outros, sem sequer ficar no estranho das conexões.
E contemplar como vam apagando, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Gosto da sensaçom de deixar fluír os pensamentos.<br />
Sentado no chao, a olhar a paisagem correr detrás dumha janela ou de pé e com movimentos espontáneos do corpo a acompanahar esse movimento. Sentir como eslue o sentido e fica apenas o passar duns para outros, sem sequer ficar no estranho das conexões.<br />
E contemplar como vam apagando, aos poucos, em luz sem cor nengum.
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Outras saudades tuas</title>
		<link>http://trapobana.blogsome.com/2009/10/23/outras-saudades-tuas/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 09:54:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>São Tomé</dc:creator>
		
	<category>Acotações</category>
		<guid>http://trapobana.blogsome.com/2009/10/23/outras-saudades-tuas/</guid>
		<description><![CDATA[	Nesta altura da chúvia, acho de menos as viagens no carro, a escuitar repetidamente as mesmas canções na rádio, fim de semana trás fim de semana. Também os passeios outonizos no parque do Viaduto, com Fiona e Fuco a correr.
Lembro a tua capazidade para me fazer rir, muito de quando em quando, como pouca gente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Nesta altura da chúvia, acho de menos as viagens no carro, a escuitar repetidamente as mesmas canções na rádio, fim de semana trás fim de semana. Também os passeios outonizos no parque do Viaduto, com Fiona e Fuco a correr.<br />
Lembro a tua capazidade para me fazer rir, muito de quando em quando, como pouca gente sabe.<br />
Mas nom tem mal. É bom fazer reconto de boas cousas<br />
limpar com a chúvia as lembranças<br />
que som o que fica,<br />
e nom preciso mais.
</p>
]]></content:encoded>
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