December 18, 2007
Caminhar pola cuberta dum barco abandonado e amarrado no porto.
Co seu cheiro a água pousada, coa ruína a se espalhar, com esse aquel de chao de mentira que sempre tenhem, sem possibilidade de que nada medre nas junturas. Fedelhar-lhe nos mandos oxidados, buscar-lhe fundo à capa de ferrugem, olhar o ceu e o casco e o mar e pensar algo ao respeito.
O tema é ler-lhe o livro de bitácora nas cordas enredadas, nas latas de aceite, nos restos das viagens. E pensar na volta ao mar, no rumo que lhe poderia ficar, na posta em marcha, nas surpresas da adega.
Coma o Calypso, coma o Hidria. Coma os avions que voltam ao céu.
Reencarnações mecánicas, está por ver até que ponto
nom podemos nós também renascer, e quantas vezes,
na mesma vida.
November 14, 2007
Estes dias, de jeito inevitável, aparecem na mente os encoros. Seica já até o camposanto de Portomarim está sobre as águas, e as pesqueiras a seco. E lembro daquela vissita que figémos à aldeia deserta.
Hoje, a maiores, comprovo como sim que era certa aquela ideia minha de que os encoros mergulham aldeias e criam lendas. Nisso é fértil o da Fervença. É lá também onde os vizinhos fam umha festa na ilha pequena que ficou.
Mundos mergulhados nos que contestamos a morte com festas e histórias.
November 12, 2007
Era mesmo assim o recanto aquel -tu mesma o olhaches- com este mesmo silêncio
a luz, se cabe, ainda um bocado mais irreal.
E nós quadramos lá no meio, apenas no caminho cara a algures
quiçais para sabermos já por sempre
que fica o lago, a beira, as árbores, a cabana lá e termos claro
a combinaçom de comboios e autocarros necessária
por se acaso cumpre
ou serve de consolo.
September 10, 2007
A história do país inteiro que aguarda a chegada do barco, enorme, no que boa parte dos seus homens marcharam pescar, comerciar e explorar. Nave única da flota, imensa, botava fora meio ano e voltava carregada de peixes, de mercadorias, de raparigos que se figeram homens e de perdas inevitáveis vencelhadas à aventura.
Também vinham lá cousas que haviam marcar os futuros de todo o país.
As novas amizades increvantáveis, os concertos matrimoniais, os enfados entre famílias polos conflitos de a bordo, as novas fortunas e as ruínas recentes. As maldições dos objectos novos. Os remorsos dos roubos e as violações de honrados homens de negócios. As pantasmas dos assassinados.
Rematavam naquel tempo as aguardas, as solteirias parciais, as inquedanças, e começavam ao tempo as festas e os prantos.
Afinal, todo aquel país pequeno, rotava arredor desse barco, e cada inverno somavam-se histórias novas aos velhos mitos da navegações, enquanto, religiosamente, se cuidava o barco para a seguinte partida.
March 22, 2007
A leitura de Borges para sonhar achega-me pequenas revelações, pontos de fuga, a possibilidade de esquecer constantes frases fabulosas. E afinal, fico impressionado e sumo-me inevitavelmente aos milheiros de blogs que repetem a sua declaraçom, porque devemos ser muitos os que quigéramos nalgum momento ter dito exactamente isso:
“La música los estados de felicidad, la mitología, las caras trabajadas por el tiempo, ciertos crepúsculos y ciertos lugares , quieren decirnos algo, o algo dijeron que no hubiéramos debido perder, o están por decir algo; esta inminencia de una revelación, que no se produce, es, quizá, el hecho estético.”
March 8, 2007
Com esta breve chamada de primavera e os olhos cansos como o tenho, a gana é de afastar-se um bocado da cidade, sair polas calelhas pequenas dos subúrbios, polos carreiros das horas, polos caminhos pouco transitados e subir um anaco polo monte esse ao que tam raro é que vaia alguém. Umha cesta de pique nique, um livro, respirar, o mar lá embaixo, e um bocado de céu. Nem necessidade sequera de mirar polas Terras Imperecedoiras.
March 2, 2007

Mas o mar não é todo mar
Mar que em todo o mundo exista
Ou melhor, é o mar do mundo
De um certo ponto de vista
De onde só se avista o mar
E a Ilha de Itaparica.
Itaparica. Ilha para olhar no horizonte desde a Bahía, desde a casa do Capitão de Longo Curso, fronte ao Atlántico. Mas nunca apanhar o ferry, nom ir em nengum caso além do cais, estender na casa ao carom da ventana o mapa do lugar e ir percorrendo com a vista e mais o dedo os nomes dos lugares: Veracruz, Boa Vista, Olho Amarelo, Bica do Tororó, Aratuba, Matarandiba, Mar Grande, Ponte do Funil, Gameleira. E nunca ir lá e rachar a perspectiva, que e Itaparica mais umha Trapobana só quando fica lá no fundo da baía, e só pode ser em vista distante, Tol Eressëa caribenha à inversa.
February 23, 2007
Às voltas polos recovecos da vida, acabo a ler umha história verdadeiramente periférica. A luita dum mestiço francófono polos direitos do seu povo no Canadá em formaçom do século XIX. Mais umha batalha esquecida que hoje nom val para nada conhecer. O jeito de parvadas que um gosta. Como havia ser essoutro Canadá de terem ganhado os que nom podiam.
January 31, 2007
Apanhar o comboio em Nova Iorque. Botar nele 83 horas e 49 minutos, e atravesar polo meio todo esse espaço que ainda ficava daquela baleiro nos mapas. De leitura, nada melhor que umha boa guia turística, feita já para olhar através da fiestra as extensons semi virgens daquele país ainda em cueiros, onde os mormons, os icarianos, os quáqueros e tantos outros enfiavam as utopias a partir duns terreos que cultivar.
Velaí umha viagem que gostava de fazer agora, na busca dessa sensaçom em que a velocidade, sem abafar, abonda para que fiquem atrás determinados pensamentos.
Acho que esses já impossíveis “OVER FIVE HUNDRED CITIES, TOWNS, VILLAGES, STATIONS, GOVERNMENT FORTS AND CAMPS, MOUNTAINS, LAKES, RIVERS, SULPHUR, SODA AND HOT SPRINGS, SCENERY, WATERING PLACES, SUMMER RESORTS” haviam ser abondos.
January 15, 2007
Descobremos a magia que supom esse nos ir cantando o aparelho as voltas e reviravoltas que devemos dar para ir encontrando o destino (com os seus mais e os seus menos, certo é).
Ante o tal fenómeno sobrenatural, é difícil evitar a tentaçom de ponher no endereço de destino Rivendel-Imladris, por ver se aceita o plam e, a mudar o tom mecánico por umha cançom, fai por nos guiar lá, ao jeito do Bombadil.