Escuito com insistência estrema Elephant Gun e Beirut em geral. Gosto imenso e sinto a necessidade de os consumir, jantar, de incorporar ao eu esses sons.
Coma no começo dum amor, o exercício de repetiçom fai-se imprescindível para modificar os sucos do cérebro, para ir-se modificando com a música e as carícias de jeito que um dia, inevitávelmente, fai parte de nós a pessoa, a cançom.
Assim ficáromm dentro Marisa Monte, Cesária Évora, Caetano, The Beatles, Sílvio, Tryo, Yann Tiersenn e tantos e tantos discos e livros. Ao poucos decai a frequência da escuita, mas já estám indelévais a marcar o caminho. E permitem o reencontro, e criam umha sede que só cada um deles pode sanar.
Polo de agora, levo meses na fasse de reiteraçom. Beirut fai-se mais umha dessas partes constitutivas do São Tomé.
Das donas que marcam a vida, nada hei dizer, no entanto aqui.
Às vezes há dias que levam esse caminho. Falha o aquecimento. Dói a cabeça. Aparecem cousas a fazer por todos os recantos e sempre som mais do que as horas. A gente enfada-se. Os pés vam de poça em poça, e vai frio.
Há que apanhar-lhes o ritmo às jornadas. Nom há outra do que ir a modinho, a cantar-lhes a chuva e os estragos, e contentar-se com que, quando menos, fique bem a peça.
“-I didn’t know you could stop being a God.
-You can stop being anything.”
Delirium and Dream conversating, in Brief Lives.
Change. Change. Change. Change… Change. Change. Chaaange. When
you say words a lot they don’t mean anything. Or maybe they don’t
mean anything anyway, and we just think they do.”
Tenho o génio virado. Embora arredor andam a se me acumular as mostras de incompetência variada, embora fico no meio de irresponsabilidades e compromissos adquiridos, é bem possível que nom se me justifique apenas com isso o humor.
Poida que, dalgum jeito, o buraco negro que será a lua em Sam Joám me ande a turrar da cabeça. E só penso em que é a possibilidade da chuva como calmante, acho que a chuva ajuda a gente se ver
( venha
veja
deixa
beija
seja
o que Deus quiser)
Para mim, esta cançom vém desde um verao que haviam ser vários, a bater-me o sol na beira do rio
exploradores sem mácula, experimentos de pessoas, era umha depressom lene e eterna
a que marcava a vida perguntando-se ainda
por quê as cousas nom eram como gostava um
enquanto se perguntava como gostava quer fossem as cousas.
Vém desde entom, dez anos longos alô, de quando em quando
especialmente nos solpores do verao,
quando cómpre estar triste por nada concreto
e sentir-se de novo estarrecer polas mesma parvadas
que nos forom fazendo.
A sexta passada fiquei uns minutos deitado na cama
a sentir como ainda me pode fazer chorar
a me perguntar como é que me tocam ainda a alma
essas notas
(And I rise like a bird
In the haze and the first rays touch the sky
And the night winds die).
E será por isso.
E será por essa parvada de versos que, em dias coma hoje, com o chao tam terrivelmente molhado, e o frio a bater, e o sol esplendorosso a reclamar o seu lugar por riba das poças
vem-me à cabeça esse De menos, e há que o cantar polo baixo, e lembrar de quem toque no momento, e aquecer um bocado o coraçom no frio da água clara no sol.
Será verdade afinal que
Um clássico dos meus mantras, para o cantar baixinho quando o mal é algumha cousa triste e calada que tem dentes de serra pequenos que se deixam sentir e sem embargo nom morre a esperança.
Ánimo, companheiros. Nom há ser o mesmo em estandomos uns e outros ai.
Now I’m stepping out this old brown shoe, baby, I’m in love with you.
I’m so glad you came here, it won’t be the same now, I’m telling you.