De jeito semelhante, outras vezes a sensaçom é de que algo turra para baixo do diafragma, a me querer ampliar os pulmões ao ponto de que o ar nom dá para os encher
como se quigesse dizer esse sentirque medrei dalgum jeito de mais, que nom se ajeita já a sensaçom de buraco de toda a vida, que ando a estirar no tempo
que é o tempo que me tira o ar.
June 29, 2008
Turrar dos pulmões
June 24, 2008
Anos de goma
Agora aqueles anos arrecendem a algum jeito de borracha que nom empregávamos para apagar erros nos apontamentos descuidados. A subir e baixar o campus no meio da chúvia, a buscar os bares na anoitecida, pulando por ir além e que a vida fosse algo mais. Dava-lhe um tom de outono a aula a tudo, achegava-lhe naftalina à realidade que também se vivia como se fosse digno objecto de estudo. Agora a lembrança arrecende a borracha. Daquela era-o tudo.
June 19, 2008
Bin Kabina
Topei o outro dia esta imagem num livro sobre viagens. A surpressa foi me decatar de que conhecia os seus protagonistas.
Lá está no primeiro plano Bin Kabina, o companheiro de Thesiger a cruzar o deserto do sul de Arabia, desde o único ponto da península onde toca o monzom. Bandoleiro, violento, fiel, amante e pai de família.
Um personagem que me acompanhou também na leitura e que estranhamente reconheço também coma um amigo velho ao ver de novo onde nom se agardava. Quê seria dele? Quê lembranças daquelas noites lhes transmitiria aos filhos? Quê outras aventuras e em quê jeito as havia contar?
June 5, 2008
Sonhar com o verao
Fago o jantar com a janela aberta. Frego a louça com água fria. Olho para as hortas mentres falo por telefone.
Baixo as persianas como se houvesse realmente risco de calor no salom e, a olhar essoutros ceus na pantalha,
acavo por me deitar no sofá, abraço umha almofada
e sonho com que era (foi daquela) verao.
June 3, 2008
Na busca da primavera
Andamos a buscar a primavera polo meio da chuva, queremos atopá-la e arrincá-la do tobo, tirá-la a luz e que nos dea forças para estourar um bocado, fazer a mudança, dar-lhe saida a criatividade que nos foi ficando dentro da casa, que nos ajude a abrir as fiestras e berrar um bocado e sentir-nos como depois da chúvia
que já toca.
May 21, 2008
Aulas de percussom
Livros gordos, lapis com goma na parte traseira, a música a bom volume e já tá montada, enquanto estudo, a aula de percussom.
Reconheço que bato nos livros, nos quadernos, que interponho fólios ou marcadores para fazer os platos, que busco nas curvas dos volumes os diferentes sons, que boto mao, se compre, da caixa do CD.
Atopo umha ledízia infantil nesse seguir o ritmo e sentir rebotar a baqueta no papel.
Será algum ignoto procedimento de mnemotécnia, será que afinal estudo apenas para ter esses momentos?
April 24, 2008
O sol nos livros
Além das raparigas polas ruas, das flores da maçairas, do café com gelo, de andar em camissola,
o sol que volta aos meus livros
apresenta-se coma síntoma inequívoco de primavera.
O atopar-me a olhá-lo
supom um eco de vagar
que chega desde há anos
à mesma parede, ao mesmo andel, aos mesmos olhos, às mesmas curvas cerebrais.
April 22, 2008
A paz da multidom
No meio e meio da imensa maré de rostos múltiplos, de fatos múltiplos, de cores e de vozes, de policonsumismos e refúgios, batido polo rebúmbio
aparece
de socato
umha estranha serenidade.
O caminho luminosso e revirado amosa-se instantáneo polo meio dos corpos.
Podo avançar em silêncio, rodeá-los sem tropezar, seguir a via exacta sem que importe onde vou, completo em mim mesmo no espaço baleiro.
March 13, 2008
Ser forte nas noites de inverno
Y me hacen ser fuerte durante las noches de invierno,
y me dan calor y electricidad y resolución
March 6, 2008
Quinhom do caos
Deixo o meu contorno medrar cumha certa participaçom de caos coma o que se lhes achega aos edifícios para os fazer ruínas. Nom som eu apenas quem determina a minha paisagem íntima cotiá. Há milheiros de actos inconscientes, desarrumações, deitar as cousas meio ao chou, cruzes de caminhos e gentes que venhem por casa e achegam mais um copo sujo ou um livro no sofá.
Afinal desenvolvim o costume de caminhar com tento pola casa, de me comportar como puidesse haver algo debaixo de cada cousa e devesse ter cuidado com o que tiro, o que movo, onde me sento
cumha certa consciência de que nom é apenas a minha vontade a que organiza o mundo.

