Enquanto janto, fico a olhar o enlousado com pintas pretas, os talhos do restaurante. As patas de madeira no soalho contenhem dalgum jeito os veraos da minha infáncia (o mesmo lugar ao que transito no arrecendo dos portais fregados), as tardes longas, a Mirinda, as viagens que semelhavam eternas até a proia. Será o debuxo das lousas tam semelhante ao da tenda dos pais, a luz indirecta que chega desde a porta, algumha combinaçom com o sabor da crema de cenoura.
De jeito semelhante, atopo sensações de empatia e emociono-me em determinados movimentos de taichi (o grou branco estende as asas, maos coma nuvens), tam queridas. Retenho manhás de sábado em jeitos concretos em que me espreguiço na cama até sentir a pituitária a se estarricar.
Simpatizo com as pedras do começo da costa da Acibacharia, lá onde se deixa a sombra do paço arcebispal. Há um anaco de sol de primavera prendido desde há anos num lateral do Pazo de Fondevila.
Tenho tempos, lugares, livros e canções amarrados por toda a parte, favoritos de navigaçom sinestésicos e descontrolados que se disparam sozinhos quando calhar.
E às vezes som de mais, algumhas manhás está o mundo cheio de madalenas e cria-se entom umha estranha tristura que algo tem a ver com estar cá e agora e nom em toda a parte que se perdeu.


