Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro Si o vello Sinbad volvese ás illas

July 8, 2009

Gasolineiras pantasma [Da propriedade dos lugares] — São Tomé @ 12:11 pm

Cada vez gosto mais de gasolineiras. Há ser por carecerem, a priori, de sentido próprio. Tudo lá está interferido polo alheio.
Desenho estándar, marcas de fóra, produtos idénticos. Nom-lugares penetrados pola globalizaçom, feitos apenas para passar deixando a menor pegada num.
Para além, há sempre um anaco de céu. Umha esplanada. Um cruze de caminhos sem cruzeiro nengum. O calor do telhado e dos alimentos, das revistas, dos joguetes e da supervivência e a comodidade rápida garantida nos seus andeis.
E gosto desse baleiro zen e acolhedor.

Mas quiçais, quando passeio por lá, do que mais gosto som das excrecências humanas que as inçam e as colonizam. Coma o briom e os liques nos muros, as personalizações, a entropia que jorde e as fai achegadas, únicas, particulares.
Cartazes com ementas cheias de gralhas ortográficas. Adornos. Lixo que revela histórias (conversas telefónicas cheias de ansiedade em pias de cigarros, viagens de estrada em litronas, namoros furtivos nos banhos na forma de envoltórios de condões, pelexas de camioneiros, perdas de documentaçom à hora de pagar). E também o deterioramento das instalações, a erva a medrar em qualquer recanto, a maquinária a se oxidar que dam nestas paragens consciência especial da futura ruína, e fam ainda mais cruzadas as sensações.

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