Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro Si o vello Sinbad volvese ás illas

June 19, 2009

Memória de lugares neutros [Da propriedade dos lugares] — São Tomé @ 10:31 am

Jantámos num bar comum, rua anodina, pratos do mais básico, tudo aduvidado com o encanto do descuido e dumha certa pobreça.
E fago memória agora de lugares semelhantes e neutros onde tenho atopado agocho.
O assador de arnóia, com jeito de nave industrial. Aquel lugar onde jantamos um prato combinado em Alhariz, cum filme ambientado no século XVIII no televisor. Aqueloutro assador onda Ribadeo, com máquina de Pepsi fóra entre dous postes. Um bar em Viveiro com vistas a um insulso jardim onde jogavam os nenos. O comedor do Zé da Rampa, onda Santo Tirso. O bar de chineses perto da Fira de Barcelona. Aqueloutro no Parallel, tam azul. O Sam Roque mesmo onde nos citávamos Jandro e mais eu, ao agocho de ouvidos indiscretos.
Espaços pequenos sem nada de extraordinário onde tudo está no seu lugar - os cartazes, a televisom, a letra impresa das ementas, as suciedade nos recantos- e é como deve ser. Comida e refúgio, deixam umha estranha pegada de paz no bandulho.

June 9, 2009

Procurar a primavera [Na ilha] — São Tomé @ 12:09 pm

Abonda já. Há que crebar um pau, ligar para o sol, botar a vida à erva. Que lá vai a primavera e nom a conhecémos, ficamos todos molhados (já para sempre) em Compostela.
Há que se conjurar: combinemos nos parques molhados, enchamos as terraças coma se fosse certo, vaiamos de camissola e sandálias tomar com gelo os cafés todos, olhemos para o céu coma se nom estivesse coberto.
E agardemos que já por fim assim chegue a primavera perdida e nos tolee de bom jeito,
que o verám nom chega ainda a sonho
e temos já o Norte orfo das ledízias simples
dos pés descalços .

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