Por vez primeira na nova casa, ajudado pola dor do pescoço, atopo-me deitado, coma quando neno, a olhar o patrom dos fios do cobertor, o jeito em que incide a luz da fim da tarde sobre os andeis cheios de livros. Aproveito o momento de imobilidade e fago por reter o friso de folhas que há no cabeceiro da cama, a cadeia da que pende a lámpada, a fendas na pintura do teito.
Lá estou por fim a me fazer dono da casa, a goçar-lhe a imobilidade da tarde de domingo. Tento esculcar até que altura chega o curuto da torres que podo olhar no espelho no armário, recortadas contra as nuvens. Verifico quantos aviões tenho afinal no quarto, busco-lhe cos pés os distintos finais à cama, angulo a visom para comprovar quê se vê na janela além de céu.
No processo de estar, descobro em certa altura a perfeiçom do intre, apreendo esse meu reino, quarto de luz queda e livros, e decato-me que nunca desejei cousa nengumha que nom esteja lá.
April 27, 2009
Apreender a casa
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fabuloso. a quietude extrema da tarde cara o seu final, con esa luz dourada, con eses minutos que camiñan cara a noite e teñen algo de decadencia, vetustos, agarimosos, e un contempla as cousas como se foran animais mansos a descansar no fondo da tarde, cando é hora de recoller e agradecer o día, a luz, o que sabemos…
Comment by mansamino — May 31, 2009 @ 5:53 pm