Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro Si o vello Sinbad volvese ás illas

March 27, 2009

A campanha dos Lagartos [Da propriedade dos lugares] — São Tomé @ 10:41 am

Ando imerso em campanha de reconquista. A rua é tua e da noite ainda. Das vezes de te acompanhar a casa, de baixar às seis da manhá antes de chegar o teu pai. De falar e discutir e se bicar ao pé do cruzeiro e nos recantos. Também garda tardes anuvadas, depois do café, algum feriado, uns anos mais novos.

Agora, sem poder evitá-lo, ando a reconquistá-la.

Passo a passo, fai-se Lagartos a rua de voltar da compra do Dia e de apanhar os kebaps para a ceia de nos os dous. É o lugar no que afasto a Fuco e Fiona porque passam carros. O carreiro polo que até volto logo dum par de cervejas.
E ocupo-a a golpe de dias de sol, de manhás de sábado, de ataca-la desde o outro extremo e de momentos inéditos que a tranformam numha outra paisagem mais minha e mais da Ester e dos cadelos e destoutros anos que nom param.

Buraco do malestar [Na ilha] — São Tomé @ 10:09 am

Há sono, e maniotas nas maos e umha moa e antibióticos que alteram tracto digestivo e quêm sabe quê mais. E polo buraco do malestar escapa-me ledízia e vam-se fazendo mais notórios os incomodos. Aparelhos que nom funcionam, tarefas pendentes, cousas que nom se fam, saudades estranhas das que trai o vento.
E há que recorrer a Belle&Sebastian ou ao Chico Buarque para se gorecer. (Ao lembrar que aqui passárom sambas imortais).

March 23, 2009

O rio do mar que nom existe [Da propriedade dos lugares] — São Tomé @ 2:22 pm

Hoje apugem-lhe a Compostela no sonho um rio de verdade, que boa falta lhe fai.
Ia pola porta Faxeira abaixo, cara a esse mar que nom existe e que tanto reclama a praça Rodrigo de Padrom.
Havia umha ponte no lugar do passo do peons, e na Alameda, Santa Susana adquirira as dimensões de monte e ermida que bem merece.
E será que Compostela semelha às vezes domesticada de mais, falta de grandes cúmios, de accidentes portentosos que lhe deam um caracter além do sacro. Costas, bosques, cantis e correntes de verdade, que haja que olhar cum certo espanto e orgulho, em sabendo a gente que há um aquel de perigo a bater na paisaxe, e que melhor andar com cuidado.

March 17, 2009

Saindo do comedor [Da propriedade dos lugares] — São Tomé @ 9:56 am


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March 16, 2009

Catorze [Na ilha] — São Tomé @ 2:16 pm

Naquel verao fum ao rio. Deitei-me ao sol, e sozinho no quarto deixava-me levar por música coma esta.

Algo ficou gravado, porque foi escuitá-la e pensar “catorze anos” e “verao”. E tais eram.

Se nom me paro, sinto ainda o calor, o sol na janela, a tristura por tudo o que ainda nom ficara atrás mas já me sabia condanado a perder.
Lá estou na minha cama, agochado nas sombras febles da rua, a escuitar o televisor do bar de abaixo, a contar os fentos que medram nos muros das casas, a olhar o céu deitado do revês na cama, repasando os mesmos livros, os mesmos discos, apreixando o universo aquele pequeno que agora acho cristalizado na cançom.

March 13, 2009

Dança coas pingas [Na ilha] — São Tomé @ 11:28 am

Olho as micropingas de água que ascendem cara à luz enquanto me ducho. Cada meu movimento provoca cataclismos, correntes, remuinhos entre elas.
Assim é estar no mundo, nom sabermos o que fam os nossos gestos, até onde alteramos o ar com a nossa presença.
Penso no tema cumha certa tristura, que há ser produto mais da lua que do facto em sim.
Mas vejo ai também a beleça das figuras que fazemos no ar
durante a dança.

March 11, 2009

Tantas coisas… [Trapobanas] — São Tomé @ 12:21 pm

Quê dizer?

March 10, 2009

Interpretaçom de sonhos em sonhos [Acotações] — São Tomé @ 1:50 pm

No sonho Tino interpretava um meu sonho que tivera quando durmia mentres sonhava

March 4, 2009

O sorriso medieval [Na ilha, Acotações] — São Tomé @ 12:42 pm

“On the withered face of the old man Marne there was a faint renewal of that laughter that has slept since the Middle Ages”
(The Flying Inn, G.K. Chesterton).

Há que apanhar o velho sorriso e afia-lo contra as pedras,
arma arrebolazida para as Idades Escuras que nos caem.

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