March 27, 2009
Ando imerso em campanha de reconquista. A rua é tua e da noite ainda. Das vezes de te acompanhar a casa, de baixar às seis da manhá antes de chegar o teu pai. De falar e discutir e se bicar ao pé do cruzeiro e nos recantos. Também garda tardes anuvadas, depois do café, algum feriado, uns anos mais novos.
Agora, sem poder evitá-lo, ando a reconquistá-la.
Passo a passo, fai-se Lagartos a rua de voltar da compra do Dia e de apanhar os kebaps para a ceia de nos os dous. É o lugar no que afasto a Fuco e Fiona porque passam carros. O carreiro polo que até volto logo dum par de cervejas.
E ocupo-a a golpe de dias de sol, de manhás de sábado, de ataca-la desde o outro extremo e de momentos inéditos que a tranformam numha outra paisagem mais minha e mais da Ester e dos cadelos e destoutros anos que nom param.
Há sono, e maniotas nas maos e umha moa e antibióticos que alteram tracto digestivo e quêm sabe quê mais. E polo buraco do malestar escapa-me ledízia e vam-se fazendo mais notórios os incomodos. Aparelhos que nom funcionam, tarefas pendentes, cousas que nom se fam, saudades estranhas das que trai o vento.
E há que recorrer a Belle&Sebastian ou ao Chico Buarque para se gorecer. (Ao lembrar que aqui passárom sambas imortais).
March 23, 2009
Hoje apugem-lhe a Compostela no sonho um rio de verdade, que boa falta lhe fai.
Ia pola porta Faxeira abaixo, cara a esse mar que nom existe e que tanto reclama a praça Rodrigo de Padrom.
Havia umha ponte no lugar do passo do peons, e na Alameda, Santa Susana adquirira as dimensões de monte e ermida que bem merece.
E será que Compostela semelha às vezes domesticada de mais, falta de grandes cúmios, de accidentes portentosos que lhe deam um caracter além do sacro. Costas, bosques, cantis e correntes de verdade, que haja que olhar cum certo espanto e orgulho, em sabendo a gente que há um aquel de perigo a bater na paisaxe, e que melhor andar com cuidado.
March 17, 2009
March 16, 2009
Naquel verao fum ao rio. Deitei-me ao sol, e sozinho no quarto deixava-me levar por música coma esta.
Algo ficou gravado, porque foi escuitá-la e pensar “catorze anos” e “verao”. E tais eram.
Se nom me paro, sinto ainda o calor, o sol na janela, a tristura por tudo o que ainda nom ficara atrás mas já me sabia condanado a perder.
Lá estou na minha cama, agochado nas sombras febles da rua, a escuitar o televisor do bar de abaixo, a contar os fentos que medram nos muros das casas, a olhar o céu deitado do revês na cama, repasando os mesmos livros, os mesmos discos, apreixando o universo aquele pequeno que agora acho cristalizado na cançom.
March 13, 2009
Olho as micropingas de água que ascendem cara à luz enquanto me ducho. Cada meu movimento provoca cataclismos, correntes, remuinhos entre elas.
Assim é estar no mundo, nom sabermos o que fam os nossos gestos, até onde alteramos o ar com a nossa presença.
Penso no tema cumha certa tristura, que há ser produto mais da lua que do facto em sim.
Mas vejo ai também a beleça das figuras que fazemos no ar
durante a dança.
March 11, 2009

Quê dizer?
March 10, 2009
No sonho Tino interpretava um meu sonho que tivera quando durmia mentres sonhava
March 4, 2009
“On the withered face of the old man Marne there was a faint renewal of that laughter that has slept since the Middle Ages”
(The Flying Inn, G.K. Chesterton).
Há que apanhar o velho sorriso e afia-lo contra as pedras,
arma arrebolazida para as Idades Escuras que nos caem.