Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro Si o vello Sinbad volvese ás illas

February 26, 2009

Comboio e Jorge Amado [Acotações] — São Tomé @ 1:20 pm

Apanhar o comboio coma quem dá num livro do Jorge Amado.
Olhar para o mundo um bocado afastados (nunca é possível fugir por completo da cena).
Fazer jantares conhecidos em bares ignotos.
Afinal a questom é atopar outros céus.
E apenas é cousa de abrir as janelas.

February 13, 2009

Outro lugar [Da propriedade dos lugares] — São Tomé @ 1:42 pm

É dessas manhás que me acorda a Ribeira Sacra, Cádiz, Praga, Alemanha, Padrom ou a Costa Ártabra.
É dia de estar noutro lugar, sozinho ou contigo, a caminhar e pensar demoradamente onde é que paramos para jantar.
A sentir a friagem e olhar o sol e os recantos da pedra.
Esses que som coma em qualquer outra parte, mas que estám unicamente ai, nesse ponto da viagem anterior ao retorno.

February 8, 2009

O ritmo do dia [Mantras de teimosia] — São Tomé @ 4:31 pm

Às vezes há dias que levam esse caminho. Falha o aquecimento. Dói a cabeça. Aparecem cousas a fazer por todos os recantos e sempre som mais do que as horas. A gente enfada-se. Os pés vam de poça em poça, e vai frio.
Há que apanhar-lhes o ritmo às jornadas. Nom há outra do que ir a modinho, a cantar-lhes a chuva e os estragos, e contentar-se com que, quando menos, fique bem a peça.

February 4, 2009

A mao baixo o passeio [Na ilha, Da propriedade dos lugares] — São Tomé @ 1:39 pm

Será a chúvia que nos une. Será a manhá inédita polas ruas cheias de gente. Será a conexom com algum tipo de normalidade.
Mas hoje integro-me na cidade.
Dalgum jeito, meto-lhe a mao por baixo do passeio, e flue lá o corpo tudo. Caminho entom coma por baixo da superfície última do sentido de Compostela, umha enruga na epiderme urbana, fragmento de sentido no seu sentido total.

(Já o dizia o Calvino:
Sería menester que hubiera sobre la superficie uni­forme un levísimo afloramiento, como puede obtenerse rayando por debajo de la hoja con un alfiler, y este afloramiento, esta tensión, es­tuviera siempre, sin embargo, cargado y un­tado de la general pasta del mundo y precisa­mente allí estuviera el sentido y la belleza y el dolor, y el verdadero contraste y mo­vimiento.)

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