Apanhar o comboio coma quem dá num livro do Jorge Amado.
Olhar para o mundo um bocado afastados (nunca é possível fugir por completo da cena).
Fazer jantares conhecidos em bares ignotos.
Afinal a questom é atopar outros céus.
E apenas é cousa de abrir as janelas.
February 26, 2009
Comboio e Jorge Amado
February 13, 2009
Outro lugar
É dessas manhás que me acorda a Ribeira Sacra, Cádiz, Praga, Alemanha, Padrom ou a Costa Ártabra.
É dia de estar noutro lugar, sozinho ou contigo, a caminhar e pensar demoradamente onde é que paramos para jantar.
A sentir a friagem e olhar o sol e os recantos da pedra.
Esses que som coma em qualquer outra parte, mas que estám unicamente ai, nesse ponto da viagem anterior ao retorno.
February 8, 2009
O ritmo do dia
Às vezes há dias que levam esse caminho. Falha o aquecimento. Dói a cabeça. Aparecem cousas a fazer por todos os recantos e sempre som mais do que as horas. A gente enfada-se. Os pés vam de poça em poça, e vai frio.
Há que apanhar-lhes o ritmo às jornadas. Nom há outra do que ir a modinho, a cantar-lhes a chuva e os estragos, e contentar-se com que, quando menos, fique bem a peça.
February 4, 2009
A mao baixo o passeio
Será a chúvia que nos une. Será a manhá inédita polas ruas cheias de gente. Será a conexom com algum tipo de normalidade.
Mas hoje integro-me na cidade.
Dalgum jeito, meto-lhe a mao por baixo do passeio, e flue lá o corpo tudo. Caminho entom coma por baixo da superfície última do sentido de Compostela, umha enruga na epiderme urbana, fragmento de sentido no seu sentido total.
(Já o dizia o Calvino:
Sería menester que hubiera sobre la superficie uniforme un levísimo afloramiento, como puede obtenerse rayando por debajo de la hoja con un alfiler, y este afloramiento, esta tensión, estuviera siempre, sin embargo, cargado y untado de la general pasta del mundo y precisamente allí estuviera el sentido y la belleza y el dolor, y el verdadero contraste y movimiento.)

