
Na noite dos meus trinta, sonho-me sentado nas escaleiras à beira do Ganges (logo de estar numha livraria, logo de fazer umha incineraçom), a escrever em pequenos papeis-cebola, ribeteados de castanho, desejos, cousas que quero perder de vista.
Embrulho-os e tiro-os um a um ao rio, ainda lá embaixo. O vento desvia-as jogando a destino e ameaça com nom deixa-las caer nas augas, com me deixar esses incomodos amarrados a mim.
Tenho sorte. Mália às ameaças, vam caendo e som arrastados pola corrente. Apenas um fica um bocado mais abaixo, nas escaleiras. A rematar, vou olhar qual foi. Desembrulho-o e atopo o papel em branco. O futuro que o vento me deixa ao carom, todo para mim.
Tu falas-me pola noite porque nom me sintes na cama e alteras-me o sono. As maos também fam o seu, alternando dores. Dum jeito ou doutro, acavo sonhando seguido, noite a noite. Fago de guerrilheiro, vou buscar só 2 comboios que meio perdo, percorro de volta cidades que já conhecim em sonhos (poderia fazer mapas já dos bairros crescidos, da áreas a monte, do lugar luminoso onde penetra a ria e umha ponte imensa cobre o trabalho das mariscadoras), vou um a um vendo a todos os amigos, à família toda, a gente da casa. Esperto de cada volta com a sensaçom de carinho de estar com a gente, e acavo com gana de os ver.
De jeito pontual, sonho-me sentado numhas rochas à beira dum mar claro e inçado de criaturas impossíveis (quiçais naquele tramo que em Cádiz une o castelo com a praia). Meto lá a mao na auga e retiro-a com o abraço imenso dumha enorme estrela de mar. Malia ao alheio que me semelha esse ser, nom deixo de sentir o conforto dos seus cinco braços a me arrodear o membro possivelmente doido na cama.
Voltei (a Teruel, como quem di)