Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro Si o vello Sinbad volvese ás illas

July 29, 2008

A Compostela dos sonhos [Da propriedade dos lugares] — São Tomé @ 12:35 pm

Há um par de dias sonhei ser um agente secreto. Por algum tipo de traiçom, perseguiam-me e tinha que cumprir umha última misom. Lembro lhe confesar a alguém o trabalho, (”jás ves, agente secreto, com estas pintas”) e caminhar polas ruas de Compostela Mais tarde, essa mesma noite, roubávamos umha locomotora enorme na Costa do Cruzeiro de Gaio e punhamos rumbo Sevilha. Baixei para acompanhar um grupo de pelegrins de volta.

Nos dous casos, aquela Compostela à que já lhe conheço várias ruas doutros sonhos, era umha cidade grande e revirada. A mesma na que tenho ido de estaçom de comboio a estaçom de comboio. Na que atravessei já algum descampado antes de chegar à Rosaleda, onde havia um centro comercial ali ao carom, e onde as ruas labirínticas multiplicavam-se à sombra do muro da Rua das Rodas. O sol bate mais de carom, lá dentro, e há umha sensaçom de que é possível perder-se, que há recantos escuros de mais e que nom se pode de certo saber que vai seguir tudo no sítio ao virar a esquina.
Tem um aquel de mau acavado. Ervas, casas arruinadas, espaços sem cuidar, um alento algo mais selvagem e velho.

Colho-lhe carinho a base de sonhar com ela, a essoutra cidade, segundo me vou atopando de volta nos mesmo espaços sonhados.

July 23, 2008

A dor de outono [Acotações] — São Tomé @ 1:16 pm

Tenho o outono inteiro na dor da boneca. Estám na articulaçom inchada as folhas todas, as tardes frias, a chúvia a cair constante e arrefria o corpo tudo ai concentradas.
É essa sensaçom aguda da estaçom inteira a que se me refugiou, agochada do verao dentro do ponto do corpo, a rachar fronteiras de meses (icronoclasta).
E agora agardo a fim da dor
a temer que finalmente eclosione coma um ovo e saia de mim o frio tudo no meio deste verao.

July 12, 2008

Reconhecer a cidade [Da propriedade dos lugares] — São Tomé @ 3:02 pm

Sábado de manha anuvado de verao.
Saio à rua caminhando de vagar e é coma se nos reconhecéssemos doutra volta, Compostela e mais eu.
Coma a fazer essa caste de turismo que de quando em quando fago aqui mesmo, ando com as maos nos petos e pissando suave. Olho as pedras, sinto-lhe o pulso lene destas horas.
O magnólio deita-me folhas enriba ao passar, a me achegar outono, mas bem sei que está é manhá anuvada de verao e que é esta a minha cidade.
Polas esquinas há restos de vida. Um copo baleiro. Um cartom de tabaco. A luz de calma.
Caminho de vagar, coma um pulso mais dos que vagam por Compostela.
Os pés enterram-se até o nocelho no chao: Sei deste tempo, sei deste lugar.

July 9, 2008

Vidas breves [Mantras de teimosia] — São Tomé @ 10:58 am

“-I didn’t know you could stop being a God.
-You can stop being anything.”

Delirium and Dream conversating, in Brief Lives.

Change. Change. Change. Change… Change. Change. Chaaange. When
you say words a lot they don’t mean anything. Or maybe they don’t
mean anything anyway, and we just think they do.”

Delirium, in SANDMAN #41: Brief Lives:1

July 6, 2008

Catarse!! [Acotações] — São Tomé @ 7:36 pm

Até o esgotamento.

July 4, 2008

Quebracostas [Acotações] — São Tomé @ 10:39 am

Em Coimbra, em passando polo Arco da Almedina (embaixo umha tenda pequena a vender postais e livros velhos) há que encetar a rua Quebracostas e atopar alí de volta o céu, umha tenda de discos, umha fonte-farol, as escaleiras, um chao irregular, a roupa tendida e, desta volta, anos depois, é possível atopar também um bocado de recordos pontuais colados a umha casa concreta.
Agora mesmo gostava de dar lá um passeio e testar as costas subindo lastros arriba, ver o que deixárom os anos e as lembranças num.

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