Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro Si o vello Sinbad volvese ás illas

March 13, 2008

Ser forte nas noites de inverno [Na ilha, Acotações] — São Tomé @ 10:53 pm

Y me hacen ser fuerte durante las noches de invierno,
y me dan calor y electricidad y resolución

(e esta noite so cantam para mim).

March 6, 2008

Pegädas [Acotações] — São Tomé @ 2:45 pm

Trabuco a escrita mecanográfica e fago, sem querê-lo a palavra Mäisson. Dous pontos inseridos à força numha vogal e já temos umha palavra doutra latitude, alheia, vinda de tempos ignotos. Já é começos de século, é Prúsia, é Paris e artistas vindos do Leste de Europa com o seus nomes estranhos e os seus pseudónimos ainda mais. Som lá as donas de saias longas e botins, as prostitutas de Schiele, Montparnasse e os latifundistas alemáns. Todos cravados apenas em dous pontos fora do lugar.
Quê estanhas pegadas nos deixa a escrita, mesmo no seu mais físsico sentido.

Quinhom do caos [Na ilha] — São Tomé @ 1:43 pm

Deixo o meu contorno medrar cumha certa participaçom de caos coma o que se lhes achega aos edifícios para os fazer ruínas. Nom som eu apenas quem determina a minha paisagem íntima cotiá. Há milheiros de actos inconscientes, desarrumações, deitar as cousas meio ao chou, cruzes de caminhos e gentes que venhem por casa e achegam mais um copo sujo ou um livro no sofá.
Afinal desenvolvim o costume de caminhar com tento pola casa, de me comportar como puidesse haver algo debaixo de cada cousa e devesse ter cuidado com o que tiro, o que movo, onde me sento
cumha certa consciência de que nom é apenas a minha vontade a que organiza o mundo.

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