May 30, 2007

Tenho umha certa tendência de autodestrucçom que se me manifesta em que gosto que me batam dialecticamente em certas bandas. Assim, goço de ler sobre o Schneider a bater contra 100 anos de antropologia do parentesco e afirmar que a família nom existe. Ou dos multiculturalistas defendendo que nom tem nada a ver o matrimónio bantu co galego, ou a criança filipina coa esquimó. Embora essas cousas suponham um ataque ás minhas ideias materialistas.
Será também por isso que gosto de ler e rio cumha demoledora crítica contra umha novela da que gostei imenso e gosto.
De onde virám essas tendências masoquistas?
Punk is not dead inside.
May 24, 2007

Nestes dias de ir e voltar e vagar e de nom ver gente e de atopar gente, vem de cando em cando umha pequena sensaçom de vertigem ao passar ao carom de ruas anónimas. Som espaços nom pissados, nom vencelhados a sensações, onde nom beijei nem discutim nem tivem pensamentos transcendentes.
Mas, precisamente por isso, fam como umha chamada a os percorrer, a lhes outorgar um sentido pessoal. Na oferta, semelham prometer em troca achegar algum novo matiz au mesmo, como se fossem quem de conseguir que o pensamento fluisse distinto ao olhar um recanto concreto ou passar por determinada sombra. Faram-no realmente?
Do mesmo jeito chamam os restaurantes desconhecidos, os locais que nunca pissamos.
Assim os espaços anodinos conseguem também a sua magia, que me fai pensar em que vaiamos um dia jantar nesse bar, pidamos a ementa e nos mergulhemos no anonimato, sejamos outros e vejamos se som quem lá de te conquistar de novo.
May 22, 2007

Tem um aquel, nom é? Por ai andam os dragões…
May 21, 2007
Mais umha vez, no sonho somos um lote de gente. Refugiados num bunker baixo a neve, uns poucos decidimos organizar um bocado a estáncia. Revisamos quantos somos. Repartimos as armas para passar de refugiados a resistentes. Pensamos em cavar um túnel para fugir. Baralhamos onde podem estar os nazis e, conscientes de que nom todos sairám com bem do soterramento, fazer um cemiterio também cavado na neve. E jorde a possibilidade de, aproveitar e fazer já lá mesmo o túnel. Detrás dos cadáveres nom ham pensar em buscar. É tudo um bocado à vez jogo e guerra de verdade.
Assim estám a ser os meus sonhos ultimamente. Acções colectivas. Conquistas pacíficas ou revoltas. Gente com a que contar e com a que há que se organizar.
Polo meio, pequenos retalhos de estar com gente conhecida, erguer-se com canções nos beizos, voltar cada manhá de lugares afastados e andar depois o dia com olhos cansos, a vida impregnada ainda das visões e da gente que fum
nas horas do sono.
May 18, 2007
Do mesmo jeito que sento em maio, perdo-me nos espaços ínfimos que ficam entre o raio de luz e a fachada da casa, caminho os arrecendos pequenos da erva cotada, divago polo som das festas e os chios dos paxaros, mergulho-me nesse olhar um céu sempre novo.
Dum jeito ou doutro andam por acô a revoar mil pequenas sensações que reclamam ao cérebro cadansua pequena correspondência com algum anaco da vida velha. Será a primavera ou este meu aquel de retornar a umha certa actividade.
Anda tudo cheio assim de chamadas, e nesta alba de primavera, da sensaçom falsa de já ter vivido um bocado tudo, canda à constante inconsciente de comparar tempos e sensos e identidades.
May 16, 2007
Acomodo-me em maio.
Nas suas noites prolongadas, nas constantes festas. Nas oscilações do mundo, nas mudanças do clima, nos encontros casuais na rua, nas variações emocionais da paisagem.
Já é quase descanso este estar sentado coas costas rectas, abondo amarrado, coa mao a agarrar o pomo e as pernas a abraçar-lhe os músculos a este mês tolo e repentino, já quase pronto a levar-lhe os vaivéns e mesmo a tirar a gorra com a outra mao e botar-lhe um aturuxo com alegria.
May 15, 2007
Será a luz, mas descobro que levo um par de dias a me lembrar em mínimos intres, daquel passeio que demos, domingo de manhá, em Cashel, a olhar os anacos da cidade que nom eram o castelo. Havia um hospital com santos dentro. Algumha via sem saida. Um campo de futebol quiçais. Umha igreja com ovelhas a pastar no adro, umha torre cumha biblioteca dentro. Casas de apostas e um tempo parado.
Ninguém na rua, nada de particular. Lembro ter goçado daquela curiossa quotidiania que nom era a nossa e nada tinha de particular. O sol, as nuvens, aquela aldeia no meio de ningures onde, curiosamente, nom eramos res.
May 14, 2007
Gosto de chegar à praça de Sam Roque. Subir a Costa Velha e comprovar de socato como aparece entre as casas a sua luz de cúmio, como arrinca cara abaixo a costa das Rodas. Quê singelo é ver o horizonte como devia ser há séculos, sem a igreja, com a pendente suave, com o horizonte afastado do Gaiás no fundo. Anda ainda o ar a correr por alô encima, num espaço fora da cidade.
Achega-lhe sempre um bocado de levidade ao caminho esse espaço. Como umha manhá do mundo onde ainda estivesse tudo por fazer e fosse possíveis, por montes lá ao fundo, estranhas maravilhas.
May 8, 2007
Identifico a sensaçom.
Logo de estar um bom tempo a empurrar contra essas paredes que me tocárom em sorte, acho que ando agora falto de pressom.
Fico a amanhar a casa, fedelhar na rede, amanhar as avarias pequenas, a ter sonhos intensos que me deixam canso.
É um bocado de medo, um nom saber viver sem bater contra algo concreto, sem datas, sem apuro.
Há que chamar gente, buscar que fazer, prender-se nalgo, saber-se algo mais do que este tempo concreto sem ligaduras concretas.
Aprender de novo um viver que já nom sabia.
Nisso andamos.
Amoréam-se os sonhos por dentro dos olhos e metem-lhes tanto peso que os tenho a se fechar o dia inteiro. Tenho ceias, festas, aventuras e encontros do mais estranho polo meio da noite.
Se nom for porque som diurnas, ainda lhe havia botar a culpa aos chios cos que as andorinhas desta primavera
andam a nos estrear o céu.