April 25, 2007
A escuitar o Godinho, vem-me a lembrança dalgum espantoso tema, e aos poucos vou tirando do fio, reconstruindo a letra:
mandei-lhe umha carta… e ela disse que não
E velai já começa a soar, bom manual para amadores por volta da primavera. Quanto nom val um baile mais do que umha carta!
(Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim).
Volto à casa e tento fazer espaço (a arrumar as malas, os livros, a roupa toda), para a própria vida, que busco também no desordem.
Chego e estám floridos os telhados. E nalgum jeito tenho a sensaçom de que volto
como cada ano
à primavera.
E será que se fam mais consistentes as ausências ao saber que houve momentos exactos coma este.
Há gente de menos, mais anos, diferentes costumes.
Mantenhem-se as flores nos telhados.
April 23, 2007
Já antes disso, recupero o primeiro flashback de entrar na cidade, ao bater cum desses espaços associados. Na ponte no aeroporto até a estaçom do comboio chamei a Íria um dia de verao que chegava da Alemanha e ela me contava umha noite tola.
Ignoro que tipo de conjunçom se deu para fixar intre com lugar, que mudou aquela chamada.
Lembro o imenso carinho com o que a escuitava, o sol que se via fora, um certo cansaço, a sensaçom de retorno por várias bandas que também continha a sua voz.
Os primeiros intres em Barcelona, a entrar na cidade polo comboio, achegam umha repentina tristura que jorde como dos edifícios do extrarrádio e do pó. É esse um espaço de visitas breves, as ilusons da cidade coladas ao cansaço das correspondentes viagens. A paisagem ecoa de diferentes anos, indo e voltando a distintas casas e hoteis. Provoca essa sensaçom de cair umha fervença de água por dentro, na que venhem os anteriores jeitos de ser um mesmo, as ilussões antigas.
Fixo já o seu caminho o tempo, e nom é este um retorno, mas umha volta nova.
April 17, 2007

Agora suma-se, a essa nova sensaçom de lene atado, a outra, inevitável, do aparelho a axexar no silêncio, pronto em todo o momento a o rachar e a me meter alguém na casa in voce.
O paradoxo é que essa sensaçom de pequena ameaça calada, tam comum a todo telefone, está aí, e mesmo acada conviver com essoutra bem mais estranha:
Possuo um telefone do que ninguém tem o número.
É entom um jeito de tesouro estranho, e de aventura, deixá-lo assim.
Só vai ligar-me gente trabucada ou, acaso, os da companhia (que polo momento continuam a fazê-lo no telemóvel). É um aquel de tirar-lhe o sentido ao objecto, deixá-lo eivado nessa maneira, coma um animal perigoso que sem patas e vendado nom nos pode apanhar.
Haverá que lhe ceivar o número. Dar-lho aos amigos, ofertá-lo, para que se domestique um bocado o tal electrodoméstico e se converta o seu timbre em anúncio de encontros, de companhas, da necessidade dos que contam com um. E que assim faga caminho o aparelho.
April 11, 2007

Atopo-me, um bocado de surpressa, a dispor dum número de telefone fixo próprio. Apenas meus, esses dígitos, ainda sem aparelho nengum aos concretar no meu salom, actuam coma umha estranha nova áncora com a casa. O 981 afima que eu vivo por acô. O resto dos números semelham querer outorgar-me umha curiossa identidade de pessoa com fogar, com vissos de estabilidade, com rotinas e horários de disponhibilidade, com negócios que atender e umha série de amigos que ham ter o contacto, fora do nomadismo permanente que agora significa o telemóvel.
Cum bocado de temor, penso no timbre a soar desde o salom, estridente na tarde.
April 9, 2007
Caminho por umha rua que ficou no seu momento associada a determinada rapariga.
A conexom é mínima: umha amiga combinara lá para um café com ela e ofertou-me acompanhá-la. Nom fum. Ignoro mesmo qual era a cafetaria exacta, mas fica dela aquel espaço tudo. Quantos outros espaços nom ficarám também marcados na ignoráncia.
Os mais insospeitados recantos achegam a memória de momentos aparentemente intranscendentes com a gente mais curiosa. A rua no campus onda o Sanatório é cousa de Max e do seu AX. O Pepa quedou-lhe a Maria um dia de jersei novo. Diante da comisaria habita sempre Jandro. E Jocas ainda no final da minha própria rua. O banco das Hortas só pode ser, a cada caminho, de Ester e de Fiona.
No caminho, penso se nom ficarám marcados, entre todos eles aqueles espaços, alguns nos que se desenvolvérom feitos decissivos que nem sabemos. Teria mudado a minha vida aquel café? Reclama aquel nom-intre a sua importáncia com essa reverberaçom no tempo?
Avançamos cegos aos remuinhos que nos podem convocar, apena caemos num de cada cento, e ainda assim nem sempre deixamos que nos mude muito o rumbo.