Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro Si o vello Sinbad volvese ás illas

March 30, 2007

A casa prolongada [Da propriedade dos lugares] — São Tomé @ 9:40 am

Na manhá de sono deixo prendida a luz do corredor e desde a cozinha espreito essa lua de reflexo que fai a lámpada na janela. Comprovo entom como há umha outra casa que se prolonga polas hortas, a certa altura. Desgastada coma umha foto velha, com as suas nódoas e preguiças imateriais. Eu também estou lá. A sobrevoar as hortas enquanto quento o leite. Quanto achegará essa terra (as pavas de cigarros, as garrafas e as latas, as más ervas, a figueira, o limoeiros, as silveiras, as pedras pequenas) ao meu reflexo, e quanto disso dará chegado a esta banda do cristal.

Sinto como ficou tudo impregnado co arrecendo a óxido sangue que trouxo o descuartizar o fígado, a jeito de marca carnal que fixa a realidade.

March 28, 2007

Umha manhá [Acotações] — São Tomé @ 10:42 am

Encontro umha manhá na que chúvia bate maina na cara polo caminho de rua deserta. A um jeito de despedida, o inverno reclama os seus foros, e incide nos arrecendos de madeira queimada de pedra húmida, num aquel de precisar mantas, na importáncia das luzes prendidas dentro da casa quando se chega tarde. Como sempre, aferra-se a estaçom aos ocos que ainda nom dá coberto a primavera.

March 27, 2007

Permitir a alegria [Na ilha] — São Tomé @ 9:25 am

Sei que me hei permitir a alegria. Na chegada repentina destes seráns cedos, sinto que nom há demorar muito que me deixe a mim mesmo um aquel de despreocupada ledízia que nom sei bem onde deixei. Ainda nom veu o tempo de lecer. Vejo-o próximo na luz inclinada dos solpores que, de socato, ponhem-me num iminente verao. Escuito-o nas vozes dos grilos que cantam ao ritmo exacto das minhas ondas-alfa ao carom do caminho. Vem ai no sol que me bate na cara e me aquece as ideias. Sinto-o numhas primeiras tímidas tentativas de conquistar o tempo. Virá umha certa ledízia, haverá que fazer festas, beber cerveja nas tardes longas.

March 22, 2007

Carne de blog [Trapobanas] — São Tomé @ 10:14 am

A leitura de Borges para sonhar achega-me pequenas revelações, pontos de fuga, a possibilidade de esquecer constantes frases fabulosas. E afinal, fico impressionado e sumo-me inevitavelmente aos milheiros de blogs que repetem a sua declaraçom, porque devemos ser muitos os que quigéramos nalgum momento ter dito exactamente isso:

“La música los estados de felicidad, la mitología, las caras trabajadas por el tiempo, ciertos crepúsculos y ciertos lugares , quieren decirnos algo, o algo dijeron que no hubiéramos debido perder, o están por decir algo; esta inminencia de una revelación, que no se produce, es, quizá, el hecho estético.”

March 20, 2007

SIM: Tomar cerveja [Acotações] — São Tomé @ 10:55 am

(Os conatos de primavera achegam gana de mínimas sensações de vida que nem sequer chegárom a faltar nunca mas reclamam por vezes a sua decisiva pequena importáncia.)

É minha canção resto de oração
Que fugiu da igreja
Não quis mais do vinho
Foi tomar cerveja
Voltou ao jardim
E tá esperando gente

Que só disse sim

(Jeremy: Yes! Ah, yes is a word with a glorious ring! A true universal utopious thing! Engenders embracing and chasing of blues, the very best word for the whole world to use! )

March 16, 2007

O patio de atrás [Na ilha] — São Tomé @ 10:18 am

Quando lhes bate um sol incerto, em certas horas das tarde, as Hortas adquirem as características difusas dum pátio traseiro.
A sensaçom é aproximadamente aquela da casa dos meus tios, ao carom do galinheiro. Tardes de silêncio, pouca gente, verduras desamparadas, muros de blocos de cimento e restos de fogueiras onde se queimara o lixo e ficavam botes de spray ardidos.
As prateleiras rotas do forno colgadas das vinhas, a sensaçom ruinosa de estar tudo a meio desfazer, o chao sempre cheio de restos microscópicos (bem menos fascinantes do que as areias da praia: cunchas de mexilhom, anacos de plástico, as últimas peças dum joguete velho), óxido, um certo caos instalado no contorno.

Do mesmo jeito as más ervas, as pavas dos cigarros, as botelhas ciscadas, os folhetos publicitários na terra semelham de quando em quando estrategicamente situados para achegar de volta aquele espaço, do que nunca gostei (tam metálico ele) mas que adquire, nesse momento exacto em que atravesso, um jeito estranho de qualidade de fogar.

March 15, 2007

O jeito de Gaston [Na ilha] — São Tomé @ 12:13 pm

Ultimamente, a verdade, andam bastante as ganas por acô de ir tomando determinadas questões laborais ao jeito de Gaston. Em fim.

March 13, 2007

Depois de batalha [Acotações] — São Tomé @ 4:52 pm

Há um aquel nesta ausência pequena que formam o teu bolso e o abrigo sobre a cadeira. Um acalmar do ar, umha volta da luz na madeira, o outro a cantar Wicked Game como se fosse há vinte e tantos anos, o silhom grande e gasto. Respira-se um bocado mais fondo do habitual e é ai onde chega exacta a sensaçom de estar a viver um intre de depois da batalha.

March 8, 2007

Ao monte de piquenique [Trapobanas] — São Tomé @ 1:26 pm

Com esta breve chamada de primavera e os olhos cansos como o tenho, a gana é de afastar-se um bocado da cidade, sair polas calelhas pequenas dos subúrbios, polos carreiros das horas, polos caminhos pouco transitados e subir um anaco polo monte esse ao que tam raro é que vaia alguém. Umha cesta de pique nique, um livro, respirar, o mar lá embaixo, e um bocado de céu. Nem necessidade sequera de mirar polas Terras Imperecedoiras.

March 7, 2007

Ti e mais eu sabiamo-lo [Acotações] — São Tomé @ 2:43 pm

Por vezes, leva um agradáveis surpresas.

Bem vindas sejam, e Traz outro amigo também

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