January 31, 2007
Apanhar o comboio em Nova Iorque. Botar nele 83 horas e 49 minutos, e atravesar polo meio todo esse espaço que ainda ficava daquela baleiro nos mapas. De leitura, nada melhor que umha boa guia turística, feita já para olhar através da fiestra as extensons semi virgens daquele país ainda em cueiros, onde os mormons, os icarianos, os quáqueros e tantos outros enfiavam as utopias a partir duns terreos que cultivar.
Velaí umha viagem que gostava de fazer agora, na busca dessa sensaçom em que a velocidade, sem abafar, abonda para que fiquem atrás determinados pensamentos.
Acho que esses já impossíveis “OVER FIVE HUNDRED CITIES, TOWNS, VILLAGES, STATIONS, GOVERNMENT FORTS AND CAMPS, MOUNTAINS, LAKES, RIVERS, SULPHUR, SODA AND HOT SPRINGS, SCENERY, WATERING PLACES, SUMMER RESORTS” haviam ser abondos.
January 30, 2007
Ganas nom faltam de fazer como dim os de Pereza.
Será tempo de mais fora dum mesmo.
Complicam-se estes tempos nos que está o corpo a se afazer um bocado a viver de volta no presente, logo dos meses a meio estar num futuro perpétuo.
E nom o ponhem singelo.
(Y nena, nena, nena, nena, no es por ti,
Es lo de siempre, no es nada nuevo.
Y cada vez más solo y más pellejo,
Dos días triste, dos días pedo,
No llegan cartas desde hace tiempo,
Creo que voy a matar al cartero. )
January 23, 2007
A certa altura a sensaçom é de ter umha cortina perpétua de água que cai pola parte de dentro da faze. Como se os dados rebordassem do cérebro e buscassem ocupar cada anaco do corpo para se nom perder. Situar as frasses, os números, as relações nas pontas dos dedos, no cabelo, no fígado… Para, chegado o dia, que com apenas inspirar vaia um sinal aos lugares ajeitados, se reunam os anacos no padal, e que cum simples movimento de língua conformem um conjunto que dea na resposta, já sem o pensar.
Nom é mau plam. Mas nom é sinjelo de levar. Esta sensaçom de rebordar permanente tem por vezes umha estranha semelhança
com estar os olhos a chorar pola banda de dentro.
January 18, 2007
Nós vivemos ignorantes no fundo do inverno, mas el já o sabe.
Ainda nom devia ser tempo, ainda devia tocar algo mais tarde, pero tanto tem, os factos som os factos e já se lhe arrima a primavera ao telhado, às vinhas, às árbores. E ao carom da minha fiestra, mais um ano, o páxaro da-lhe a bemvinda, que dum jeito ou doutro é quase tempo já. Leva toda a semana a me acompanhar a amanhecida. Eu esculco o céu enquanto preparo o almoço a buscar os síntomas que lhe fam cantar.
January 15, 2007
Descobremos a magia que supom esse nos ir cantando o aparelho as voltas e reviravoltas que devemos dar para ir encontrando o destino (com os seus mais e os seus menos, certo é).
Ante o tal fenómeno sobrenatural, é difícil evitar a tentaçom de ponher no endereço de destino Rivendel-Imladris, por ver se aceita o plam e, a mudar o tom mecánico por umha cançom, fai por nos guiar lá, ao jeito do Bombadil.
January 11, 2007
Enquanto continuamos a espreitar a receita magistral pola que acada que a vida semelhe correr a lume lento, recuperamos-lhe à Mica o João em agradecido homenagem, que nom é samba-nana exactamente, mas bem pode valer.
Já te falei dos segredos da cozinha
lenga lenga de pergunta e de magia
as notas que vão correndo soltam rima
com a voz doce do Zé, melancolia.
(Será cheiro a rosmaninho
será salva ou alecrim
ou será apenas vinho
que chama o sol pró jardim)
January 10, 2007
O bom de Larcenet achega-me este estes dias outro retorno. Grandes questões da vida e retratos dum mundo pequeno que sei has reconhecer aginha. O colmado que vende memórias RAM. Os vizinhos que sulfatam até a extenuaçom. A gente da barra do bar. O cartaz das festas. As vizinhas velhas.
Um lugar singelo, enfim, como o que todos gostamos.
January 9, 2007

Dalgum jeito funciona. Retorna um à rotina, embora algo mais dura do habitual e marcada ainda por marés do solstício. Volta-se trabalhar do jeito habitual. Jantar no ritmo habitual. Dispor do tempo livre entre estudo e estudo na mais comum maneira.
E algo baixa pola facer interior das tempas, a remexer espaços que levam dentro o inverno normal e a sua calma, a espalhar essa refrigeraçom por toda a parte.
Cá estamos. A viver no habitual. Como de volta em horas de sesenta minutos.
January 8, 2007
Desta volta, e nom sem dúvidas prévias, opto finalmente por umha selecçom de mapas antigos para me marcar os meses.
Nunca está de mais um guia incerto e velho como o que achegam os tais desenhos, para se orientar dum jeito também incerto e mutável.
January 4, 2007
Cum bocado de agua de mais no morro, o motor a meio gás e vento cruzado, nom é que poidamos dizer que estejamos como para pinchacarneiros. Mas continuamos a travessia confiando em que haja gasolina abonda, que afinal mau será. Já aí se vê a terra e bem sabemos que os flotadores, quando menos, estám em boas condições. E se nom resta outra, fica-nos amarar onde se poida e fazer a nado os últimos metros. Vontade nom falta. Tiburões abstenham-se.