November 29, 2006
Frauke agarda com emoçom á hora do parto. Eu agardo canso umha outra minha hora. Logo dum temperán LK, acabo a falar co Jandro da morte, que também é tempo. Vém o frio. Cruzo só mulheres nos sémáforos. Ao passar por diante das tendas, cos auriculares postos, sofro breves flashbacks de momentos de renovar vestiários, com particulares assessoras de imagenes. Penso no Rapo. Nom me decato no momento de como vam as cousas por Monelos. Acho de menos. Estudo. Trabalho. Canso a vista. Tardo tempo, em cada conversa ou correio, em me decatar quais podem ser as novidades que tenho para contar.
Cum par de dores e sonos a maiores, a vida enche-se de anacos que confluem e fluem e nos deixam um bocado baleiros no seu inevitável refluxo. Sostenho a nota, a ver se nos sai um samba.
November 27, 2006
Atravessar o país de comboio. Jantar de campo e explorar as covas antes de que a maré suba e quase nos atrape. Cuidado com os desprendimentos, e olha por onde vadiámos os rios, que em qualquer anaco cobre.
Apanhar o carro, sair às estradas.
Descobrer as misteriosas areias movediças de Barranhám, percorrer a costa até o mais recóndito porto e lá de novo fugir da maré. Perseguir polo caminho umha cadela que acaba de descobrir com júbilo o conceito “areia”.
Na volta se enfrontar co tráfico do polígono, e de volta na casa, brigar com inundaçom.
Ainda houvo aços para umha partidinha, durmir um bocado, e iniciar mais umha aventura cotiá, a se erguer antes que o sol e continuar às carreiras detrás dos comboios.
Quê bom compartir peripêcias com você.
November 24, 2006
Serám associações que me venhem do trabalho ou dalgumha lectura, mas o caso é que som já uns quantos os dias em que, de jeito intermitente, achega-se-me à mente a cámara funerária de Newgrange, os seus 5000 anos de idade, o seu altíssimo teito, o estreito corridor por onde o sol penetra ainda cada solstício de inverno. E algo me leva a ter gana de me achar num lugar assim. Cámara de dólmen, fondo de cova, espaço telúrico onde ficar calado e sentir o peso da terra enriba do ar.
Também, na lista de casualidades, na TV mencionam os Grumman Avenger perdidos no Triángulo das Bermudas no exacto momento em que, das quase 4.000 páginas da Enciclopédia da Aviaçom, tenho abertas as que falam desse aparelho.
November 22, 2006
Será que abonda um 2% de lua em crescente para que se note já a mudança e haja ainda força depois de trabalhar o dia tudo e se sintam os olhos algo mais no seu lugar e a vida com força mais baixo controlo.
Anda tudo remexido de qualquer jeito. Enfermidades várias, inquedanças, chamadas com implícitas buscas de apoio.
É no meio disso tudo que vém meu irmao de visita esta tarde. Falaremos de livros, da sua complexa situaçom na enésima interinidade, e quiçais o acompanhe na sua expediçom de saqueio polas livrarias de velho da cidade, que tal é, e nom outra, a razom oficial da viagem do velho bibliófilo pirata.
November 20, 2006
É muita a gente que me vê emagrecido nas últimas semanas. Supero a meia dúzia de comentários sobre o pouco em que estou a ficar, embora báscula e mais talhas digam que nos mantemos desde o final do último inverno nas mesmas condições.
A certa altura já começo a suspeitar se nom será o caso coma o dessas pessoas que a Tati vê com má saude e só ela se dá conta até que, pouco depois, enfermam.
Se nom será que o meu esgotamento destes tempos está a se traduzir num incorpóreo ficar menos, que nom se reflicte nos números mas que a gente nom deixa de ver.
Ainda bom que, polo meio, há quem di que me olhou prazidamente durmido com feitio de naipelo numha breve viagem astral que correu ao meu carom.
November 17, 2006
E seria aló onde começou tudo? Foi Bora Gora e um Grumman Goose aos meus cinco anos e muito o que me foi levando aos aviões velhos, junto com aquele destroçado Spitfire azul que herdei do meu irmao mais algum Zero de Guisval que roldava pola casa? Vem-me daquela a afecçom?
É bem certo, de qualquer jeito, que durante anos fum quem de lembrar a música da série e que ainda gardo umha boa sensaçom da mesma. Que estranhas som as cousas que nos fam.
November 16, 2006
Havia, no meio e meio da semana, que conseguir dalgum jeito fazer umha pausa. Mais ainda por como andam ultimamente as cousas. E plam arrimar-se por acô o Rapo com a guitarra, juntarmo-nos com o Sérgio e algumhas garrafinhas, e fazermo-nos umhas horas de outono quedo onde também tu puidesses tomar-lhe o teu LK e ficar depois durmida embaixo das folhas dos castinheiros, por exemplo, coa Fiona ao teu carom.
November 14, 2006
Tem-che as suas ironias, a wikipedia.
A cadela Fiona olha para nós, e meio chora, e pede umha comprensom estranha que nom sabemos a quê bem.
Nom quer durmir sozinha, olha constantemente que estejamos juntos os e perto dela. Fai por sair ou por ficar ou algo, e nom sabemos o que lhe passa exactamente para acumular tantos mimos repentinos.
É por isso que é um alívio (também para ela) ve-la vomitar umha masa verde logo de se ateigar de ervas no meio das ortas. Mentres o fai, a olhada é de total mágoa e incomprensom. “O quê me está a acontecer?” semelha dizer, do mesmo jeito que quando estava às portas da morte e a conhecimos. Depois passa tudo.
Coma todos, a cadela busca no amor alívio às dores de estómago.
E abrangue-nos aos dous nesse carinho.
November 13, 2006
A baixar pola rua canso, penso num anaco que há umha certa sensaçom de desamparo na cidade com isto de que nom esteja Belém para o chamar a um, tomar-lhe um café e aturar um bocado das queixas pequenas da vida.