Trapobana total, anda por ai A Baiuca, um lugar que nom conheço, que nom existe ou que está e nom está já, como tantos outros.
Chega-me de boa mao, entre porto e fume, e incorpo-o à lista de trapobanas.
October 30, 2006
A Baiuca
October 27, 2006
Verao na bilha
Sem que haja razom, dentro do Paradiso fai-se-me verao de socato. Olho as bilhas de cerveja. A gente está coberta de abrigos, há paráguas por toda a parte. Nom entra umha luz solar que poida dar a tal ideia. Mas, poida que por persistência retiniana, logo de que fora acabassem as chuvas, a sensaçom está ai. Umha luz estranha sobre o mostrador dá a impresom de que fora agarda o rio e passeios em camisola.
Será quiçais o facto de me ter sentado numha mesa onde me agardavam em desordem os restos de três almorços consumidos às pressa em companha e a hora tardia. E ficaria apegada no assento um algo da ledízia essa, quiçais de turistas novos recém chegados que partirám com fúria descobrir a cidade. Acaso estudantes de segundo ano que combinam para nom fazer almorço e botar uns primeiros risos em companha, e jogar a ser e a conquistar e a viver.
E nessas me apanha a Rebe, que chega cum sorriso a confirmar a predicçom de que é um jeito de verao e que há que apanhar colheitas.
October 24, 2006
Desde esta banda
Desde esta banda preocupa-me o anquilossamento. Esse ficar na casa a ganchilhar, colhendo os livros com pouca ilussom (agora que ia arrincando-lhe de volta o amor às páginas), lamentando nom caminhar de mais e um certo baleiro que se lhe nota já no jeito em que insinua que podo ir por casa algo mais. E como lhe custa tempo soltar-se e agarda a estarmos sozinhos para me dar conta de como se portou o meu pai essa semana ou o pouco e come Hermínia e como vai costa abaixo.
Desde esta banda, ir ve-los entristece e aletarga dalgum jeito. Decato-me agora que os vejo a correr, e que o mesmo nom é abondo. E afinal, um dia pola noite, encontro-me barrenando nalgum profundo medo a quando falte algum deles, e como som estes anos algum tempo bom antes de que se precipitem as cousas por essa banda (e quêm sabe se por algumha outra), e lembro de socato como era umha moça ainda (corenta e poucos anos) quando me levou por primeira vez ao cinema ver umha de Tarzán (levou-me a merenda e numha cena o herói corria num zoológico, eu nom tivem medo da escuridade. Nengum, quase) e pouco depois recuncamos con “Las minas del rey Salomón” (penso que me enganaram a dizer que também saia Tarzán e era mentira e encontrei muitos anos depois a cena da cova que eu lembrava).
E nom me levou mais ao cinema, mas sim à praia, e conduzia, e lia, e vivia dum jeito moderno e liberal que ficou agora afogado polos anos de trabalho, o matrimónio canso, o cuidar da mae que nunca pensaram havia viver tanto e tam bem (e que continue).
Agora di o meu irmao que o mesmo lhe leva a moça para a casa. Quem sabe se nom se agocham futuros estranhos, novas vidas por alô, detrás da vindeira folha do calendário.
October 20, 2006
Detonantes
Cai tam forte a chuva que consegue calar tam fondo que remolha um par de sensações de anos.
Dumha banda escuito Dusminguet e volto por um momento aos tempos de ir dançar ao Avante polo meio da semana, piso inferior, a aproveitar que nom havia ninguém, e dançar recorrentemente Close to me. E botar tardes inteiras atrás tua e jogar a ter detalhes e conquistar-te de vagar.
Pola rua cheiro o perfume do tabaco de pipa. E retorno ainda mais atrás. Desta volta vou a algumha noite que acabou na zona nova. Às cervejas do Candilexas com Tino. A uns primeiros tempos de se conhecer, e se achegar, e de ir-se fazendo a dous aos poucos. E decato-me, de socato, de como passou o tempo desde aquela.
E como podo ainda fumar umha pipa, escuitar Dusminguet, ter detalhes de conquista, dançar um bocado embora nada poida ser o mesmo.
October 19, 2006
Para a cama
Imos meter-nos na cama um par de dias. Nom por mal, apenas por celebrar um bocado que chove e que nom presta tanto andar na rua.
O plam é deixar a sabas bem enzoufadas, comprovar quanto dá de sim ainda o cabeçal, faze-lo cantar e nos revolcar no próprio suor em jeitos vários até ficar bem cansos depois do concerto, e ver se ovacionam os vizinhos.
October 18, 2006
Polo meu trilho
Baixo co Merlim, que vém de quando em vez a atravesar os anos, as Hortas.
E escuito entom em assubio umha tonada que som geralmente eu quem fai rolar por entre as casas.
Alguém baixa, lá adiante, com Trilhos Urbanos nos beiços, do mesmo jeito que eu descia dous dias antes polos caminhos do Courel.
E penso se nom ficaria já gravada, coma outras, nos ecos da pedra, se nom lerám outros essas presenças e lhe darám jeito ao baixar a rua.
Deixo no mistério a pessoa, que avança adiante e nos acompanha coa cançom até que para, em chegando nós à casa.
October 16, 2006
O Courel
Há lugares que som Trapobanas polo jeito em que estám e nom estám a um tempo.
O Courel é um deles.
Está ainda fermoso e verde, forte ainda na sua ressistência calada.
Mas já nom se pode dizer que esteja cá, neste tempo. É um bocado de casca de castinheiro na que fica ainda umha mínima lapa a esmorecer, um vestígio de cousa que já nom é.
Fica-nos entom, como único e feble consolo, pensar que estará acolá. Que nalgures tem que conservar-se, vivo, o Courel florescente. O de Hórreos e Ferramulim cheios de gente e de vida. O das ferrarias e o das minas de pizarra. O dos labregos de Seoane que apostavam pola esquerda, o das foliadas longas no verao.
E bem sabemos que nom é assim, e vém ai a saudade que acompanha toda Trapobana para refrendar a ideia.
País perdido, tempo esgotado, hora passada. Ficam os montes.
October 11, 2006
Viva Curlandia!!
Num encontro cibernético, Rapo e mais eu comentámos as histórias dos países difussos. E jorde polo meio a fabulosa história de Curlándia, o país europeu mais pequeno que tentou colonizar América (e mais África).
Como havia ser a vida daqueles bálticos ilhados na sua colónia do Caribe… Como havia ser estar na dessintegraçom desse mínimo estado, quê restos ham ficar agora, quais seriam os sonhos de Jacob Kettler para o lugar, a expansom do mínimo espaço, as histórias da comunidade judia do lugar. Ainda penso em lhe jogar umha defesa do país contra os nazis.
A verdade, nom importava de pedir dalgum jeito umha dupla nacionalidade nalgum destes lugares perdidos.
Como nom podia ser doutro jeito, despedimo-nos num virtual berro:
VIVA CURLÁNDIA!!
E A SUA PODEROSSA FLOTA!!
VIVA!!
October 10, 2006
Combinar para o café
Vai para um mes que tentamos coincidir umha manhá a tomar café, vam-se sucedêndo as incompatibilidades, cada qual mais original. E dalgum jeito nom nos damos posto de acordo.
E lembro da tal cançom de dessencontro…
Tocará algum dia
October 9, 2006
Ocos da fim de semana
Busco nos ocos da memória recente os flashes da ledícia pura e sem mágoa de dançar cos amigos, um bocadinho antes de perder totalmente o sentido.
Nos ocos do estómago do dia seguinte espreito, de jeito semelhante, pola cadeia de circuntáncias que deu na ressaca, e olho se pagou a pena, e quero pensar que sim.
Algumha cançom pom-me á beira dos ocos dumha memória mais fonda. Achega um tempo dos dezasseis como de outono, marcado por umha sensaçom de pouso e colheita que aginha achei de menos e nom sei onde ficou. (Deitar-se do revés na cama a escuitar música, à volta dumha excursom familiar um domingo à Guia, por exemplo, e ver o triángulo de céu entre o balcom e a casa de enfronte).
Nos ocos do sono busco o teu corpo nú ao carom, e construo umha aperta que te acolha e me introduza ao tempo na tua companha calma de fundos sonhos.

