As hortas som umha parêntese feita de casas no coraçom da cidade.
Apertam-se tanto os muros que afinal nos bordes abertos apenas cabem palavras, e fica tudo por definir, lá dentro.
O passadiço dá apenas para apertas furtivas, um passeio sozinho ou com o cam, um alívio rápido fisiológico, umha fugida discreta polo meio da rua.
Dentro da parêntese é tudo um bocado burla da cidade. Lá nom funcionam as mesmas regras.
É terreio para serem os gatos panteras, vivenda de paporrúbios, melros, pegas e pombas. Ratas e ratos, e volvoretas, com espaços de mato fechado que ninguém sabe.
Dentro vai mais frio do que no resto da urbe, numha reclamaçom quiçais da sua condiçom selvagem e rural.
Onda o botelhom e o arrecendo de hashish, um homem cultiva a sua horta com calma e fala com a gente que passa. A quatro metros, instalam umha estranha proposta artística. De quando em quando, uns operários do concelho reclamam propriedade e desbroçam tudo o que podem para deixar que tudo medre em quatro meses e sejamos todos os vizinhos conscientes do passo cíclico da vida, também a fazer eles umha caste de estaçom. Às vezes para a gente roubar figos.
Disque fica lá a catedral detrás a 150 metros. Os turistas olham com assombro. Em Raxoi tomam-se decissões sobre o pais e a cidade. Polas ruas de arredor trabalha-se, vive-se, reparte-se o butano. Dentro é tempo para olhar nuvens.
Eu vivo lá na fronteira entre as Hortas e o mundo.


que chulo!
Comment by compartindo pazo — September 18, 2006 @ 3:18 pm