Desde o aviom, a enorme capa de nuvens que cobre Irlanda semelha repetir, dalgum jeito, umha paisagem. As formas estranhas que colhem criam um complexo espaço no que se chegam a adivinhar cursos de rios, vales, ilhas que emergem.
Penso que o mesmo há certos dias do ano, estranhas conjunções atmosféricas em que poida que se ajeitem as nuvens às configurações velhas da terra. Que amosem realmente os velhos traçados telúricos e que colham forma de túmulos, vales, rios, cminhos que houvera noutra volta de verdade sobre a ilha.
Ainda encontramos a certa altura umha outra capa de nuvens, delgada e com amplos ocos nos que se pode ver ainda essoutra passagem branca.
E vejo lá umhas outras formas. E penso se nom recolheram ainda jeitos anteriores. Se nom lhe estarei a ver as paisagens a Tir nán Og, a algumha Atlantis a quem sabe quais terras que já forom.
August 28, 2006
A paisagem antiga
August 25, 2006
Numha casa distante
Kinlay House possue o jeito acolhedor dos lumes de cheminè no inverno. O durmir dos parrulos, o avancar pausado e contido dos cinhos polas canles paradas, a erva curta dos parques, o jeito em que a estrada discorre coma um rio ao reves deixam-me num certo estado de abstraccom zen. Estàm ainda casas coas que um pode ter sonhado no seu momento e um lote de Història que um nom importava de compartir um bocado. A familiar sensacom de estar numha perifèria bem mais cèntrica do que a nossa, e a ideia permanente de que cà se havia ir bem em bicicleta e de que hà ainda muito por fedelhar nas ruas e na gente.
Fica cà, nos rios, nos parques, nas canles, nos pubs, na gente um destino possìvel para olhar o mundo deste umha fiestra mais ao Norte.
No entanto, fico cumha grande moeda a virar no ar, a agarda continua.
August 11, 2006
(…
Enquanto tento albiscar a fim da paréntesse, busco o vagar para olhar o vento sobre a erva
sem que poida evitar a gana de deixar-me esluir mes abaixo
a agardar o agarimo do outono.
August 9, 2006
Até o fundo
A luz desta lua de agosto chega-me até o fundo do fundo do corredor e ameaça colar-se no salom.
Nunca tam vira. Amarrai-vos.
August 7, 2006
Assédio
Ao pouco de ler sobre outros assédios encontro-me no meio da cidade sitiada. Hordas de bébados regam-se com vinho enquanto lume nos vai cercando. O ar fai-se irrespirável e a borralha cae do céu por toda a parte. Baixo esta luz irreal, co sol cuberto polas nuvens de fume, continuamos a dessenvolver algumha caste de vida normal.
August 1, 2006
Mentira
Agosto é umha mentira. Enfronto-me a dias baleiros de cidades baleiras com a sensaçom de que está o outono ao asejo, de que de algum jeito nom contam estes tempos para a vida, que agarda ainda se pôr em marcha com a vendima.
Há umha sensaçom de calma tensa, de agardar quenda e desta volta bem sei qual é a encarga.
Fica mergulhar no mar, nas cidades, na observaçom zen dos lugares novos, nas canecas a meia tarde, nas amizades menos socorridas.
Fica buscar-lhe o jeito à compostela do verám, sair cada noite, encher-se a churrascos e a festas
com o ineludível convencimento de que na realidade está tudo parado, que andamos às voltas por fóra do tempo, que é umha pausa estranha, umha vida falsa esta que levamos
enquanto as andorinhas dam as ultimas voltas e nom arrivam os estorninhos
e caem as folhas e volta ser noite á hora de nos erguer e à de voltar para a casa,
com a tranquilidade da rotina a nos acompanhar.

