Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro Si o vello Sinbad volvese ás illas

May 24, 2006

Artesa [Crónica da reforma] — São Tomé @ 9:11 am

Umha vizinha mercou umha artesa para decoraçom. O meu pai recriminou-lhe como pagava tanto por esse trebelho. Ela dixo-lhe que a ver de onde tirava um. El respondeu-lhe que era bem capaz de construi-lo. Ela nom o creu.
Entom o meu pai botou quinze dias dedicando o seu tempo livre (entre passeio, chapuças e chiquitos) a construir umha artesa. Madeira de pinheiro, tábuas grossas, com todas as suas peças, incluindo um pau para poder deixar a tapa aberta.
Isso sim, a um quinto do seu tamanho real.
O outro dia passei por casa e encontrei-na acima da neveira.
Abri-na para achar um inesperado tesouro. No seu interior deitavam-se, em perfeita ordem, três bolsas de olivas “La Española” a encher o espaço tudo.
Abrim o caixom e lá sorpreendu-me umha morea de sobre de açafram “Pote”.
Agora disque o meu pai está a fazer um hórreo pequeno, também de madeira, quêm sabe para agochar quê gram.

2 Comments »

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  1. um gram, que é a orixe ;b

    Comment by x — May 24, 2006 @ 10:53 am

  2. Vaia, trocou vostede en cazatesouros.
    Quen saber se as olivas eran o mesmo manxar dos deuses!

    Comment by Anna Raven — May 25, 2006 @ 5:04 pm

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