Hai-che já umha boa temporada que nom fumo.
E a verdade é que, de quando em quando
agradece-se umha caladinha.

Hai-che já umha boa temporada que nom fumo.
E a verdade é que, de quando em quando
agradece-se umha caladinha.

É certo. Vou pola vida a tentar encontrar-lhe algumha caste de lógica ao açar.
E faremo-lo todos, digo eu. Nom eu caso, dedico-me a buscar causalidades, meteoropatias, compensações kármicas ou algumha caste de razom que explique os mais variados acontecimentos.
É deste jeito que aos poucos me convenço da existência de boas e de más lufadas, nas que se acumulam (e se podem contar), os acontecimentos bons com as ledízias e as desgraças com as moléstias.
Que há cousas que passam factura, que há peagens, que, como bem di a Flor de Lis (bem mais esperta ca mim para seguir estes fios), os círculos fecham.
O caso é que aos poucos vou fazendo, na base da observaçom, umha andamiagem de anacos, de tendências e de efeitos, que eu mesmo abaneio e à que em ocasiões agatunho e olho a paisagem.
Hoje ao entrar na casa encontro um paxaro a bater contra todas as fiestras na procura da saída.
Nem sei por onde puido entrar, nom duvido que na busca de calor.
- O pobre animal converte-se assim numha metáfora ignota sobre a buscade calor e o ficar atrapado em casa alheia ou cousa polo estilo.-
É lindo. Abro-lhe todas as fiestras e o langrám fica parado num almadroque.
Finalmente enfia (logo de vários novos intentos) por um dos vaos, e lá o vai e pousa agora no muro do Senhor Reitor e olha para mim e para a casa no alívio de ter fugido.
Afinal prende em mim um aquel de agradecimento para o bicho
por lhe ter outorgado à minha casa a condiçom de lugar acolhedor
dalgum jeito.
O céu mais escuro do que vai no ano tira-me polos olhos. Descubro de novo as formas das paisagens nesta velha luz que já esquecera, e produze-me o fenómeno um assombro emocionado.
Os pinheiros, os rios, os montes e as estradas ficam mais quedas, como a pousar para a foto, atrapadas baixo as capas de nuvens escuras. Pola sua banda, as luzes do autocarro, das casas e das estações de serviço convertem-se em focos de calor e de terra, dotadas da calidez inédita que lhes dá o outono.
Encontro-me de novo e por um bocado capaz da emoçom na olhada.
Respiro fundo e aos poucos vam passando dias nos que venhem flashbacks coas sensações eternas que se mantenhem em suspenso entre outonos mas que ficam ai a aguardar por nós.
Aquecer as maos co alento, se embrulhar com as mantas, ouvir correr a água fria, ver as árvores paralisadas…
Devo reconhecer que nos últimos tempos a sensaçom é que a vida está perpétuamente aparcada.
E que tenho que lhe ir metendo moedas existenciais no maquinilho da hora.
E que eu ando a outra cousa.
A medíocre situaçom, perpétuamente pendente de que se decida o meu futuro e de que deveria estar a fazer algo porque se resolva de jeito positivo, tem as suas medíocres vantagens.
Por exemplo, nom me dá para viver abismos emocionais nem para encontrar altos cúmios de energia vital.
Nom me movo entre picos de actividade e descensos, nom se me altera polo geral o nível de stress.
Nom me vejo em repentinos golpes emotividade nem de sensibilidade. Custa-me mais do que outras vezes encontrar emoçom no sol do outono.
Tudo fica coberto e amolecido por esta caste de tensom meia perpétua, nem disparo o arco nem fico relaxado.
E entom reduze-se a cousa a um deixar passar o tempo, apertar-me a ti nalgumha noite, tentar ver as gentes que me amolecem, incrementar a déveda que mantenho com a vida
que agardo nom me raiem mentres fica estacionada.
Hoje o sonho é umha mestura dum enterro com lauda de segunda mao, extracçom de petróleo desde umha bateia na Ria de Arousa, investigaçom de fenómenos estranhos, o meu irmao no telhado a recolher a roupa tendida que lhe caera, um tanque que sai voando, o Carlos a se mudar precipitadamente numha residência, e de novo o meu irmao, um lindíssimo Cambados e umha ignota moça madura minha que, acho sei a conto de qual cançom, lhe tocou chamar-se Rita.
E tinha sentido, por incrível que semelhe.
Ponho um novo fundo de escritório por ver se me acompanha um bocado a tenrura de Peeters para o frio do outono.
Ultimamente o acender do aquecimento da casa a isso da sete da manhá esperta-me e agasalha-me cumha deliciosa hora de meio dormir fecunda em sonhos e bem reparadora.
Se ontem primeiro investigava e depois -em flash back- executava um complicado roubo bancário, hoje a cousa vai ainda para além.
Sonho como uns malvados de baixa estofa (juraria tinha um deles a cara do Vítor Mosqueira) transformavam o Superman -ou herói no estilo- num café com leite. Ante o meu arrepio e o seguro triunfo dos maus, saia do café coma um ectoplasma lácteo do cal, induvidavelmente se ia reconstruir o corpo do super herói. Entom eu batia comicamente nos malvados, e dava-me para espertar, desta volta cheio de sono, com Another One Bites The Dust a martelar na cabeça. E nom me deixa.
Andam os tempos inquedos. Tem de vir pola noite Cesária, cansa e descalça, para me pór estas minhas tripas dessacougadas no
lugar.
E é que às vezes esqueço o jeito em que me embrulha o passo de comboio da vida que tem a coladera, o irresistível torrente sonoro que leva o ritmo exacto que tem por vezes os coraçom.
Morna-coladera-morna-morna-coladera.
Como as ondas, a vida alterna o precipitar-se desses latejos com essoutro canto lento que flúe à velocidade coa que agroma a primavera e madurece o verao.
Mestura-sem-me na noite, coma na vida, os ritmos e os tempos e acumulam-se-me as lembranças e as pessoas que venhem com cada cançom -tardes a ler sozinho, escuitas compartidas, algumha cançom de berce que me cantou a Diva, umha viagem em Morouços-.
Mas afinal es ti quem ergues a cabeça do meu ombro e me beijas ao finalizar Sodade.
Acho que nom é difícil se decatar, a pouco que se olhe e se fale com ela,
que Consuelo garda nos olhos um bocado de menta.
Há ser essa erva segreda a que lhe achega o ar de manhá que tem
e que nom lhe passa (por fortuna) cos anos.
É assim que supom às vezes o encontrá-la
um grolo de água fresca no dia.
Deste jeito, entre idas e vindas, ocupações e tempos,
fago por respirar-lhe um bocado algumha vez no ano.
Polo momento manteho, coma plantada num testo, a eterna cita de Barcelona
agardando que se institua quando menos em tradiçom
e que ajude também as outras ervas aromáticas que roldam a casa
a lhe dar à vida um arrecendo a começo contínuo de viagem.
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