Acaba a minha mai de se reformar . A história e longa e dá para muitos contos.
Para começar, ainda estou a assimilar aos poucos (e acho que nom me deixo) o conceito de ver fechada a tenda cos andeis baleiros. Encontrar os meus pais a se erguer mais tarde do que eu num dia da semana.
Polo momento vam poucos dias. Ela continua a fazer a mesma rota, da casa à tenda, da tenda à casa, com a excussa de ir lá umhas horas com Hermínia, ver a vizinhas, cobrar algumha conta, liquidar algumha cousa. Semelha no entanto que estivesse ainda a se afazer a ver as ruas ao tempo que percorre o invisível rail que guiou a sua vida nos últimos corenta anos.
Dá ainda a impresom de estar a se espreguizar dalgum jeito. Abrir as às. Olhar arredor, um bocado de medo por esse mundo que até o momento só chegava, dia a dia, através do balcom-frigorífico.
Suponho que a sensaçom é, amplificada, a mesma dum oficinista qualquer nas estraordinárias ocassões nas que se enfronta à manhá da cidade (o mundo da outra banda da fiestra). Pero desta vez, é para sempre.
Fico à espreita das suas mudanças, de como irám medrando os caminhos, de como tirará de enriba o po
e em que jeito vou olhar os ocos que ficam na paisagem da infáncia ainda preservada.

