May 31, 2005
Enquanto interiorizo algumha outra (boa) e surprendente nova, aproveito para convocar de maneira urgente.
Bem sei que nom somos muitos a passar pola ilha, mas agardo ver-vos a todos este sábado em Ponte Vedra, que a esta também há que botá-la. Nom o deixedes para outra volta porque esta ainda vai ser a refinitiva
E nom pode ficar dúvida de que somos bem mais.
e logo pode-se-lhe contar aos netos que se estivo ali.
A festa também há ser boa. Tenho gana de ver, coma noutros eventos, gente que só encontro nesta cita. Embora acho que desta volta nom lhe terei que ajudar ao Firmino com a megafonia.
Isso, vemo-nos lá!
May 27, 2005
Olho, agora que a luz assolaga o meu salom, os livros apertados nos andeis (ainda é bom saber que os lim todos) e decato-me de quanto tempo levo sem ter vagar abondo para os abrir ao acasso, tirar-lhes o po, contar-lhes as páginas e tentar-lhes levemente o cheiro. Já som messes sem lhes encontrar dentro os papeis (bilhetes de combóio, entradas de teatro, anaquinhos de envelope) que marcan fragmentos imprescindíveis para levar a vida, sem ver de novo aqueloutras flores, folhas e ervas que nalgum momento me dérom para gardar e que turram de mim para lembrar-me que fórom certos e fórom grandes aqueles momentos pequenos.
Ao me decatar, doem-me mais os olhos e as costas, e penso se nom será maior o tempo que passa por fóra das folhas, e se nom será esse o tempo que me fai mais frio, mais racional, mais vello também contigo.
May 25, 2005
Pola manhá pensava que desta volta tardava ainda o tempo de florescerem (coma a tolémia em primavera) mulheres de braços e vans e dedas e peles livres ao sol. Ao ir indo o dia decatei-me de que estava a viver a eclosom, ou realmente foi mal tempo até o de agora ou é que estou a botar tempo de mais na casa.
Canda a esta nova, feliz e dessacougante mostra, o mundo continua a dar mostras de primavera e de lua. Amores novos, alterações mentais e emocionais de todo tipo, probleamas informáticos, incremento estatístico de feitos variados ou as flores de Titi e de Cléo em cadanseu estremo da casa sumam-se á celebraçom.
Penso que cómpre efectivamente mergulhar-se nas ruas, olhar e cruzar olhadas, parar nas terraças e contar as nuvens e perder o tempo enquanto nos sobrevoam as andorinhas em batalhas aéreas que só elas conhecem que nom sabemos -ignorantes de nós- ler
como jeito único de terapia que nos livre dalgum dos mais que asejam.
May 23, 2005
A festa na estaçom de combóios a celebrarmos por fim umha boa e grande vitória que nom sei (mas nom deixo de duvidar há de ser), prolongara-se até tam tarde que nos altofalantes parava a música de jeito intermitente, os homens do lixo começavam a limpar os restos e mesmo algum combóio se atrevia a parar. Sonava umha nova versom de Coma um sonho acordado quando saimos de alô e colhemos caminho para algures. Era já fim da noite e tu recevias umha chamada dum homem que che agardava na casa para ver ainda um filme e tu falavas com el e preferias por uns intres alomenos fugir comigo e amosávas-me metidas num sombreiro as cartas com as que a carteira che contara qual ia ser a tua fortuna no amor. Estava lá o pau quase inteiro de copas que, é sabido, som corações. Das primeiras estava a sota, e aginha completavas a escaleira até o rei. Com o seis vim-che as complicações, o sete de espadas confirmava a ideia. Um as de ouros que nom se sabia bem a quê vinha e logo ainda quatro desses santos que também fam parte baralha. Estava lá algumha santa de nome longo, e também o Tzarin Sebastião, último emperador de Portugal, feble e novo que nom dava.
Fugiamos entom e ficávamos numha minha cama apertados, e quando nos estávamos a dizer que nunca conhecéramos ninguém que desse tam bom durmir coma o outro, via passar nas janelas do edifício de enfronte o reflexo dum gato imenso.
Colhiamos entom o barco cos amigos e percorriamos umha minha cidade cruzada de canles, vendo as casas baleiras e os aspecto do rio na maré baixa (de novo viamos aquel lugar que me persegue por várias noites).
Chegávamos finalmente à residência, perseguíamos espaços baleiros, espiávamos nos quartos. Afinal juntávamo-nos com gente que eu nom conhecia e falhava a electricidade e alguem trouxo entom um acordador de pilhas que justo começou a sonar para tirar-me de ali e meter-me de cheio nesta segunda, onde esperto e ao meu carom queixas-te do cedo que é para ter que sair da cama.
May 20, 2005
Velaqui que me vejo numha velha tristura. Como era de agardar, costa abaixo o agóbio, carente da cámara de descompressom, encontro-me a olhar a primavera com olhos tristes. E nom é pouca a ledízia que contenhem as flores que Cléo e Titi desabrocham, os meus telhados de novo floridos (ficáram calados o ano passado), as nubens esfianhadas como só podem ser nos céus desta época.
É assim que me encontro a te achar de menos insolitamente já nestes dias, e canda a ti algumha caste de encontros e de músicas. Estranhamente gana de escuitar por primeira vez canções pop. Cansaço acumulado.
Encho de música o cacharro, amarro algumha resserva para o combóio e penso mais umha vez em como era bom para este agarrar-che para umha sesta dessas longas agora que se podem botar sem baixar a persiana e mesmo a fiestra aberta. E havia vir nessa mestura do sol e da tua pele umha ledízia calma dessas de pôr a cero o contaquilómetros.
Afinal, esperto no meio da noite, e descobro que foi essa nostalgia cara a mao e concentrou-se numha bolinha que me dói.
May 18, 2005
Decatei-me ontem de como gosto de encontrar de quando em quando gente querida (e decato-me quanto de querida) e admirada. E como gosto de saber que vinhérom todos sem ser chamados, só em sabendo que era o dia da Festa e que ali haviamos estar mais um ano. E é assim que boto a manhá a correr por todo o lado, a falar com a gente toda, a fazer coma sempre. E ainda depois um banquete de victória e de reencontro e ver-se um bocado mais caras e venha de novo a cantar.
Afinal volto à casa e decato-me polos restos que foi algum tipo de batalha que já foi lá. Fica em geral a satisfacçom de saber que se foi fazendo um bocado melhor, as pequenas frustrações das cousas que se poderiam ter melhorado, o cansaço. A sensaçom de que há que voltar à louça, aos livros e que tenho ainda que ver como é a vida sem esse reto ao carom.
Contente.
Porque a memória da pele é distinta à da cabeça
lembro hoje coma se fosse há muito tempo
as manhás de inverno nas que me erguia
há agora ainda quatro meses.
Olho as taças valeiras do almorço a fumegar ainda
encolho os ombros e gardo as maos nos petos
porque semelha-lhe à pele que está de volta
umha época afastada na que ia também frio
o mesmo frio que agora me ataca as fazulas.
Retorno por uns intres a esse tempo agora lendário
através do ar que se me achega ao naris
e sinto como se tinge de lembrança a temperatura
que antes era molesta e quotidiana.
May 13, 2005
Nom pode ser e nom ser à vez tudo e a ausência coincidir com o nom parar e as horas ser ao tempo com os minutos e nom cabem as horas todas nos dias e há que andar andar a ver como fazemos e roubar-lhe tempo ao sono e nom deixar de lhe dar ao caletre que se calamos tudo há se derruvar e em fim que nom se pode deixar tudo que há gente que cré e só a crer se podem levar as cousas, que de ilusom também se malvive e má vida é nestes tempos relativos
e entom
há que lhe buscar jeito às navegações estas que som intensas de mais.
Embora em certo momento caminho pola noite por terras des Bolanda, erva medrada e o canto solitário do primeiro grilo do verao arredor, e olho a lua coma um corte no céu
a vida nom dá para tanto e encontro-me de mais a buscar caminhos no mato. Entom as ledízias som ver como há cousas que vam para adiante a pesar dos custos. Entom nom me dá para aledar-me com outras cousas pequenas (embora caminhe por Bolanda às vezes) e fico alerta, pendente das ondas, com a cabeça num espaço baleiro que nom vejo até dentro dum mês. Penso em te ver e em quê caste de lubricante lhe devo botar à vida para que corra sem quecer-se de mais e me depossite já no verao estenso.
May 10, 2005
Hoje quero demorar
nas teclas no teu embigo
contar as contas rodadas
do teu rosário de pele
e ir na vida de vagar
coma o passeio na erva
a pés nus acarinhados.
Demorar nas sabas frescas
no gelo de copos grandes
em escritas de caneta
em beiços e em sonolências
como a sermos sempiternos
sábados pola manhá.
Acarinho a madeira,
olho o solpor.