Até o esgotamento.
July 6, 2008
Catarse!!
July 4, 2008
Quebracostas

Em Coimbra, em passando polo Arco da Almedina (embaixo umha tenda pequena a vender postais e livros velhos) há que encetar a rua Quebracostas e atopar alí de volta o céu, umha tenda de discos, umha fonte-farol, as escaleiras, um chao irregular, a roupa tendida e, desta volta, anos depois, é possível atopar também um bocado de recordos pontuais colados a umha casa concreta.
Agora mesmo gostava de dar lá um passeio e testar as costas subindo lastros arriba, ver o que deixárom os anos e as lembranças num.
June 29, 2008
Turrar dos pulmões
De jeito semelhante, outras vezes a sensaçom é de que algo turra para baixo do diafragma, a me querer ampliar os pulmões ao ponto de que o ar nom dá para os encher
como se quigesse dizer esse sentirque medrei dalgum jeito de mais, que nom se ajeita já a sensaçom de buraco de toda a vida, que ando a estirar no tempo
que é o tempo que me tira o ar.
June 24, 2008
Anos de goma
Agora aqueles anos arrecendem a algum jeito de borracha que nom empregávamos para apagar erros nos apontamentos descuidados. A subir e baixar o campus no meio da chúvia, a buscar os bares na anoitecida, pulando por ir além e que a vida fosse algo mais. Dava-lhe um tom de outono a aula a tudo, achegava-lhe naftalina à realidade que também se vivia como se fosse digno objecto de estudo. Agora a lembrança arrecende a borracha. Daquela era-o tudo.
June 19, 2008
Bin Kabina
Topei o outro dia esta imagem num livro sobre viagens. A surpressa foi me decatar de que conhecia os seus protagonistas.
Lá está no primeiro plano Bin Kabina, o companheiro de Thesiger a cruzar o deserto do sul de Arabia, desde o único ponto da península onde toca o monzom. Bandoleiro, violento, fiel, amante e pai de família.
Um personagem que me acompanhou também na leitura e que estranhamente reconheço também coma um amigo velho ao ver de novo onde nom se agardava. Quê seria dele? Quê lembranças daquelas noites lhes transmitiria aos filhos? Quê outras aventuras e em quê jeito as havia contar?
June 5, 2008
Sonhar com o verao
Fago o jantar com a janela aberta. Frego a louça com água fria. Olho para as hortas mentres falo por telefone.
Baixo as persianas como se houvesse realmente risco de calor no salom e, a olhar essoutros ceus na pantalha,
acavo por me deitar no sofá, abraço umha almofada
e sonho com que era (foi daquela) verao.
June 3, 2008
Na busca da primavera
Andamos a buscar a primavera polo meio da chuva, queremos atopá-la e arrincá-la do tobo, tirá-la a luz e que nos dea forças para estourar um bocado, fazer a mudança, dar-lhe saida a criatividade que nos foi ficando dentro da casa, que nos ajude a abrir as fiestras e berrar um bocado e sentir-nos como depois da chúvia
que já toca.
May 29, 2008
Sacrilégio
Algo há de sacrílego em aserrar as rochas
nas que bate o mar.
May 21, 2008
Aulas de percussom
Livros gordos, lapis com goma na parte traseira, a música a bom volume e já tá montada, enquanto estudo, a aula de percussom.
Reconheço que bato nos livros, nos quadernos, que interponho fólios ou marcadores para fazer os platos, que busco nas curvas dos volumes os diferentes sons, que boto mao, se compre, da caixa do CD.
Atopo umha ledízia infantil nesse seguir o ritmo e sentir rebotar a baqueta no papel.
Será algum ignoto procedimento de mnemotécnia, será que afinal estudo apenas para ter esses momentos?
May 19, 2008
Joguetes rotos
Atopo pola rua anacos de joguetes. Ontem era a aza dum dragom verde. Esta manhá duas rodas dum carro.
É como se dalgum jeito me convidasse a cidade a os ir apanhando todos, para argalhar algum estranho híbrido de répti, camiom, balom pinchado e quêm sabe quê mais, e jogar com calma baixo a chúvia.

